Dica: estúdio de graça para músicos de SP

Prefeitura abre hoje inscrição para ações culturais

Escondida no andar térreo do imponente prédio do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital, a sala que abriga o Lab C só é identificada pela lâmpada que fica do lado de fora, acesa quando os microfones estão ligados. E isso acontece todos os dias da semana, sem interrupção, desde 2006.

O Lab C foi aprovado no programa de valorização de iniciativas culturais (Vai) da Prefeitura e não cobra nada dos músicos. Aliás, de hoje até 1.º de fevereiro ficam abertas as inscrições para a edição 2013 do Vai.

As regras que regem a pequena sala de pouco mais de 25 m² forrada com espuma antirruído são simples: basta mandar um e-mail pedindo para marcar uma data, com o número de integrantes da banda. A fila de espera é, em média, de três meses, mas ninguém fica sem gravar, garante o técnico de som Marcelo Gregório. é ele quem grava, produz, remasteriza e até toca junto dos músicos que procuram o CCJ para dar o primeiro passo de suas carreiras. “Dou pitaco, faço arranjo e até toco. Sou obrigado a fazer um pouco de tudo”, conta.

A ideia de montar o estúdio é do próprio Gregório. Ele diz que, como músico, sentia certo desdém dos estúdios que frequentava na região pelo trabalho de bandas iniciantes. “Os estúdios têm apego só ao tempo, e ao dinheiro que ganham por cada hora – cerca de R$ 35 na Vila Nova Cachoeirinha”, afirma. “Trabalhamos com os sonhos de pessoas e não tem grana que pague isso.”

No estúdio não há espaço para preconceitos musicais. Todos os estilos – rock, rap, reggae, funk, samba, instrumental e até gospel – têm vez. Em uma mesma semana, por exemplo, Gregório fez a primeira sessão para a gravação do disco da banda de reggae QG Imperial na segunda; gravou músicas do grupo de rap D’monte na terça; e mixou o disco de Gui Batera na quarta.

Só em 2012, 64 bandas passaram por lá e em seis anos mais de 5,7 mil faixas foram gravadas. “é uma oportunidade para pessoas, que como a gente não teriam grana para fazer uma gravação de qualidade”, afirma Manoel Amaro Silva Neto, o Neto do Sapo, um dos usuários do espaço.

Fonte: O Estado de São Paulo

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