Foto: reprodução / YouTube

Ainda que não seja mencionado entre os grandes guitarristas da história do rock, Kurt Cobain se destaca no instrumento quando uma análise mais atenta é feita. O líder do Nirvana era conhecido não só pela criatividade ao compor, como, também, pelos timbres peculiares que tirava com seus instrumentos – muitas vezes, devido a modificações em suas estruturas.

O técnico de guitarra Earnie Bailey trabalhou para Kurt Cobain entre 1991 até seu falecimento, em 1994. Em entrevista à Ultimate Guitar, ele revelou alguns detalhes curiosos a respeito da relação do músico com o instrumento.

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Steve Vai: “Tocar como Kurt Cobain não é tão fácil assim”

Bailey tentou explicar, por exemplo, o motivo pelo qual Cobain preferia guitarras Fender. A opção era um pouco diferente de vários contemporâneos do grunge, como Kim Thayil e Chris Cornell (ambos Soundgarden) e Mike McCready e Steve Gossard (ambos Pearl Jam), que optavam por instrumentos da Gibson.

“Não posso confirmar, mas estou disposto a especular. As guitarras Fender são fáceis de desmontar e modificar, se você for curioso. Esses experimentos criam uma conexão mais próxima, além de aprimorar seu conhecimento a respeito do instrumento. Além disso, é mais fácil achar guitarras Fender para canhotos, bem como peças de reposição. Também pode ser por isso”, disse o técnico.

E Kurt Cobain já tocou em guitarras Les Paul? Earnie Bailey revelou que sim. “Porém, não em uma guitarra Gibson – e, até onde sei, apenas em um show”, completou.

“Ele preferia as cópias importadas e tinha duas delas. Ele disse que ficava parecendo com Jimmy Page (Led Zeppelin), então, não tocava Les Paul em público. Ele não queria ficar nem remotamente parecido com os guitarristas lendários que ele cresceu ouvindo”, afirmou.

Kurt Cobain e as guitarras quebradas

Um dos momentos mais notáveis dos shows do Nirvana era quando Kurt Cobain quebrava a guitarra com a qual se apresentava. Curiosamente, o instrumento não era descartado – reconstruções feitas por Earnie Bailey eram frequentes para não desperdiçar o produto.

“A desconstrução não me incomodava. Passei uma década fazendo restaurações e reparos tediosos, então, era emocionante ver alguém ganhar a vida com a bela arte da demolição. Era poderoso ver algo assim acontecer. Curtíamos ver Pete Townshend (The Who) fazer isso com tanta fúria”, disse.

Cobain, inclusive, já comprava muitas de suas guitarras sabendo que elas seriam quebradas nos shows. Somente alguns modelos “fugiram” da destruição: os modelos Jaguar e Mustang, ambos da Fender, que ele usou em sua última turnê.

Existiam, ainda, os “xodós” da coleção, que não foram adquiridas com esse propósito. Só que nem elas escapavam. “Uma delas era uma Black Strat modificada que foi quebrada durante a gravação de ‘Endless Nameless’ no Sound City Studios. Também tinha a ‘guitarra-irmã’ dela, a Black Vandalism Strat. Quando os instrumentos ‘descartáveis’ estavam todos estragados, as guitarras principais também ficavam em perigo. Outro exemplo é a Blue Mustang que era a preferida dele, mas foi esmagada em uma caixa de retorno durante um show em Dallas”, afirmou.

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