Michael Jackson não era chamado de Rei do Pop à toa. Além de ser genial em seu processo de criação e performance, o cantor estava sempre acompanhado de bons músicos, inclusive guitarristas, e produtores.

A escolha de guitarristas ideais percorre toda a carreira de Michael Jackson, especialmente a partir de “Off The Wall” (1979), o primeiro álbum da chamada “fase adulta” do artista. As seis cordas ajudaram a moldar a identidade do trabalho de Jackson em muitos sentidos, seja com os guitarristas de estúdio ou com os mais famosos, chamados para participações especiais.

A seguir, estão 10 guitarristas que tocaram com Michael Jackson. A lista poderia ser ainda maior, mas o foco está nos principais.

1) David Williams

O verdadeiro responsável por dar o som de guitarra marcante dos trabalhos de Michael Jackson é David Williams. O guitarrista, que faleceu em 2009, aos 58 anos, foi apresentado ao Rei do Pop por Everett “Blood” Hollins, que escutou na rádio a banda de R&B Chanson, onde Williams tocava, e foi atrás dele.

O produtor Quincy Jones gostou do que ouviu e colocou David Williams para gravar algumas músicas de “Off The Wall”. Nesse disco, Williams registrou guitarras nas faixas “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”, “Rock with You”, “Working Day and Night”, “Burn This Disco Out” e a faixa título.

O groove de David Williams apareceu novamente em “Thriller” e foi aí que ele fez história. Ele participou das faixas “Wanna Be Startin’ Somethin'”, “Baby Be Mine”, “Billie Jean” e a faixa título, sendo que estas duas últimas estão entre os maiores sucessos da carreira de Michael Jackson.

O talento de Williams também foi usado no álbum sucessor “Bad” (1987), em seis faixas: “The Way You Make Me Feel” “Speed Demon”, “Another Part Of Me”, “Dirty Diana” (esta, com solo de Steve Stevens) e “Smooth Criminal”.

A pegada característica do guitarrista consegue aparecer aos ouvintes mais atentos, mas ele é bastante humilde ao falar sobre seu trabalho. Ele costumava descrever seu jeito de tocar como “o tempero secreto: não precisa de muito, porém, a quantidade certa é suficiente”.

O tempero “regulado” é tão importante que, no caso da música “Billie Jean”, nenhum outro guitarrista conseguiu reproduzir o trabalho de David Williams, que só havia sido escalado para trabalhar na pré-produção. Em função disso, os produtores tiveram que usar a gravação demo feita por Williams.

Vale destacar que David Williams fez turnês com Michael Jackson e Madonna, além de ter colaborado com nomes do porte de Julio Iglesias, Paul McCartney, Diana Ross, Steve Perry, Aretha Franklin, Mariah Carey, Rod Stewart e The Temptations.

2) Bill Bottrell

Outro nome pouco mencionado na trajetória de Michael Jackson é Bill Bottrell, produtor e multi-instrumentista que trabalhou com Michael Jackson nas décadas de 1980 e 1990. Além disso, ele fez carreira gravando nomes do porte de Electric Light Orchestra, Traveling Wilburys, Tom Petty, Madonna, Elton John, Sheryl Crow e outros.

Diferente de David Williams, Bill Bottrell já era conhecido na indústria fonográfica quando começou a trabalhar com Michael Jackson. Porém, como era de se esperar, a carreira dele atingiu outro patamar ao lado do Rei do Pop.

Primeiro, Bottrell produziu uma música do álbum “Bad”: “Speed Demon”. Depois, atuou de forma mais presente no disco “Dangerous”, como produtor de “Who Is It”, a faixa título e “Give In To Me”.

Ele também gravou a guitarra e outros instrumentos de “Give In To Me” (com exceção dos solos, feitos por Slash) e “Black Or White”. Inclusive, muitos pensam que o músico do Guns N’ Roses é o responsável pelo riff da icônica faixa, mas a canção foi registrada por Bottrell.

Bill Bottrell também é creditado por gravar a guitarra e ser o produtor de “Earth Song”, do álbum “HIStory: Past, Present and Future, Book I”. (1995).

3) Eddie Van Halen

Uma das colaborações mais lendárias da história da música é a de Eddie Van Halen em “Beat It”. E a situação que a envolve é ainda mais fantástica.

Eddie Van Halen foi convidado a participar da música, que se tornaria um clássico, após um convite do produtor Quincy Jones. Ele devia um favor a Quincy, então, aceitou gravar o solo sem cobrar um centavo sequer. Ele destilou as notas que compõem o solo de “Beat It” em menos de 30 minutos, sem muitos ensaios ou elaborações. Dentro desse prazo, também fez alguns arranjos presentes ao longo da canção.

Porém, a colaboração não foi vista com bons olhos por seus colegas de Van Halen. O motivo? Na época, Michael Jackson não era tão famoso e os músicos da banda não queriam que Eddie se envolvesse com projetos paralelos.

Em entrevista à CNN, Eddie revelou ter pensado: “Pensei comigo: ‘quem vai saber que eu toquei no disco desse garoto, certo?'”. Eddie errou feio, pois “Thriller” tornou-se o disco mais vendido da história da música, posto que ostenta até os dias de hoje.

“Certas pessoas na banda não gostavam que eu tivesse atividades paralelas à banda naquela época. Entretanto, (o vocalista David Lee) Roth estava na Amazônia ou algo assim, Mike (Anthony, baixista) estava na Disneylândia, Al (Alex Van Halen, baterista) estava no Canadá e eu estava em casa, sozinho. Pensei mesmo que ninguém ficaria sabendo”, afirmou Eddie à CNN.

4) Steve Lukather

Além de ser guitarrista do Toto, Steve Lukather é um músico de estúdio muito produtivo. Entre os artistas que obtiveram um pouco de seu trabalho, esteve Michael Jackson, com quem Lukather trabalhou em dois discos: “Thriller” (1982) e “HIStory” (1995).

No primeiro álbum citado, Steve Lukather gravou guitarras de “The Girl Is Mine”, “Beat It” (cujo solo é de Eddie Van Halen) e “Human Nature”, além do baixo de “Beat It”. No segundo, ele registrou guitarra e baixo de algumas faixas que não são especificadas nos créditos presentes no encarte.

5) Steve Stevens

A participação do guitarrista Steve Stevens tocando os solos de “Dirty Diana”, música de “Bad” (1987), também é histórica. Stevens, que havia acabado de sair da banda de Billy Idol, foi uma recomendação do produtor Ted Templeman a Quincy Jones.

Os envolvidos não queriam repetir o convite a Eddie Van Halen e queriam um “guitarrista do momento”, então, toparam chamar Steve Stevens.

Em entrevistas posteriores, Steve Stevens disse que foi convidado por Quincy Jones pelo telefone e pensou que era trote. “Pensei que era alguém tirando uma comigo. Desliguei na cara e o telefone tocou de novo, então, ele disse: ‘não desligue, isso é real'”, conta Stevens.

O guitarrista revelou, ainda, que a versão original de “Dirty Diana”, tocada por ele em estúdio, tinha mais de 7 minutos de duração. A edição final a deixou com 4 minutos e 42 segundos.

6) Jennifer Batten

Embora não tenha tocado em nenhum álbum de Michael Jackson, Jennifer Batten é notável por seus trabalhos em turnê. Ela excursionou com o Rei do Pop entre 1988 e 1993.

Além de muito habilidosa nas seis cordas, a ponto de conseguir reproduzir perfeitamente os solos de Eddie Van Halen e Steve Stevens nas músicas anteriormente citadas, Jennifer Batten tinha um visual bastante chamativo. A influência glam era notável e o cabelão era capaz de dar inveja a qualquer banda de hard rock.

7) Slash

Seguindo a ideia de Michael Jackson em chamar o guitarrista do momento para colaborações, Slash fez três contribuições a músicas de Michael Jackson. Uma delas está no disco “Dangerous” (1991): “Give In To Me”. A outra, no mesmo álbum, é na introdução de “Black Or White”, mas não confunda com o riff que entra com todo o instrumental – é na introdução mesmo, na versão do disco.

Em entrevistas, o guitarrista do Guns N’ Roses sempre nega que tenha tocado o riff inicial de “Black Or White”, diferente do que muitos dizem. “Não toquei naquela música. O som é feliz demais, não soa como eu, mas, de alguma forma, fiquei rotulado como o cara que tocou aquela passagem”, afirmou, em 2010.

A outra colaboração feita por Slash está no último disco lançado por Michael Jackson em vida: “Invincible” (2001). Ele toca em “Privacy”, 11ª música do álbum, que traz reflexões pessoais do Rei do Pop sobre a invasão de privacidade que a mídia faz com pessoas famosas.

8) Carlos Santana

Outra lenda da guitarra a tocar com Michael Jackson foi Carlos Santana. Ele participou da música “Whatever Happens”, do álbum “Invincible”. Embora já fosse um veterano, Santana estava na crista da onda naquele momento graças ao sucesso retomado com o álbum “Supernatural” (1999).

Além do solo de guitarra, Carlos Santana tocou violão e até reproduziu um apito na canção. Apesar de muito boa, a canção nunca foi lançada como single.

9) Trevor Rabin

Assim como os músicos do Toto, o guitarrista Trevor Rabin (Yes) mantinha uma carreira paralela como músico de estúdio. Entre os artistas com os quais ele trabalhou, está Michael Jackson.

Contudo, não se sabe, exatamente, qual(is) música(s) de Michael Jackson contam com a participação de Trevor Rabin. Sabe-se, apenas, que ele tocou no disco “HIStory” (1995).

10) Orianthi

A última guitarrista de Michael Jackson, Orianthi também não chegou a gravar um álbum com o cantor. Em um caso ainda mais peculiar, ela nem chegou a excursionar com o Rei do Pop. No entanto, ela ficou marcada por ter sido escolhida para fazer a turnê “This Is It”, que não ocorreu porque Michael faleceu.

Antes de ser chamada, Orianthi não era tão conhecida, mas tocava na banda de apoio de Carrie Underwood. Ela foi convidada para a vaga e participou de todos os ensaios, sendo retratada no documentário “Michael Jackson’s This Is It”, com os registros finais do Rei do Pop em vida.

Como “prêmio de consolação”, Orianthi tocou guitarra na música “Monster”, lançada no álbum póstumo “Michael”, em 2010. “Teria sido tão incrível. Michael queria fazer os melhores shows”, afirmou ela, em entrevista ao Music Radar.