Foto: Maryanne Bilham / divulgação

Carlos Santana é conhecido não apenas por sua musicalidade e pegada, como, também, pelo fato de utilizar guitarras PRS, da empresa de Paul Reed Smith, há muitos anos. Mais especificamente, desde 1982, Santana trabalha com a marca, após usar instrumentos da Gibson e Yamaha nas décadas de 60 e 70.

Em entrevista ao canal The Captain no YouTube, com transcrição do Ultimate Guitar, Carlos Santana falou sobre a sua relação de longa data com Paul Reed Smith. Ele revelou, inclusive, que deu um conselho importante para o empresário – e acha que essa dica ajudou a salvar a PRS.

“Eu falei: ‘Paul, quando comecei a tocar, era vendida a Gibson Junior, que chamavam de guitarra para estudante. Por que você não começa a produzir modelos para estudantes, cara?'”, afirmou Santana, sugerindo a criação do que se tornou a linha SE da PRS.

O músico pontuou que, na época, avisou a Paul Reed Smith que muitas pessoas não podem pagar pelas guitarras top de linha. “Essas pessoas não podem bancar as guitarras que eram feitas para mim, então, seria legal fazer uma linha para a garotada que ainda é estudante”, disse.

A reação de Paul Reed Smith foi inusitada. “Ele ficou olhando para mim como se eu fosse maluco. Porém, após mais de 20 anos, ele finalmente me ouviu. Não estou exagerando: acho que isso salvou a empresa, pois os jovens… tentam recrutar jovens para o Exército, a Marinha, tudo isso, então, eu tento recrutar jovens para a guitarra”, afirmou.

Situando o relato de Carlos Santana à linha do tempo, tudo indica que o conselho foi dado logo no início dos anos 80, quando o guitarrista começou a trabalhar com a marca. Apenas em 2000, a PRS anunciou a linha SE, que são produzidas na Coreia e têm preço mais acessível.

Em outro momento da conversa, Santana fez elogios a Paul Reed Smith e sua ambição em se tornar um dos maiores fabricantes, ao lado de empresas como Gibson e Fender, estabelecidas há bem mais tempo. “Não é fácil. Há outras empresas, como Ibanez ou Yamaha. É como uma maratona – e muitas desistem e acabam vendendo, é como tentar competir com a Pepsi ou a Coca-Cola. Porém, Paul conseguiu se manter em ótima posição e emplacou suas guitarras na MTV, na década de 80, pois todos usavam”, comentou.

A entrevista pode ser assistida no vídeo a seguir, em inglês e sem legendas.