

Existe uma pergunta que atravessa quase todas as páginas desta edição: o que realmente faz um guitarrista permanecer relevante? Durante muito tempo, acreditou-se que a resposta estava na técnica, no equipamento ou na próxima grande inovação. Mas as histórias reunidas aqui apontam em outra direção.

Mark Lettieri transita entre jazz, funk, rock e música experimental sem perder sua identidade. Guto Konrad, mesmo aos 23 anos, mostra uma maturidade rara ao afirmar que sua maior busca já não é tocar mais notas, mas encontrar uma voz própria. Em gerações diferentes, ambos chegam à mesma conclusão: a personalidade vale mais do que fórmulas.
Olhando para o passado, os 50 anos da Kramer lembram que a tecnologia sempre impulsionou a evolução da guitarra. No presente, equipamentos como a SWAMP 45 e os modeladores digitais ampliam possibilidades que antes pareciam inalcançáveis. Peter Frampton, por sua vez, prova que tradição e criatividade podem caminhar lado a lado.
Toda essa evolução, porém, traz uma provocação. Nunca foi tão fácil alcançar grandes timbres, gravar em casa ou acessar centenas de equipamentos digitais. Ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil passar mais tempo pesquisando sons do que fazendo música.
Talvez a maior tecnologia disponível para um guitarrista continue sendo a mesma de décadas atrás: dedicação, curiosidade e horas de prática. Afinal, os equipamentos evoluem. A identidade musical, essa continua sendo construída nota por nota.
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