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Editorial

Existe uma ideia muito sedutora no universo da música: a de que as grandes carreiras são construídas a partir de momentos extraordinários. Um telefonema inesperado, um vídeo que viraliza e, claro, estar no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas.

Esses momentos realmente existem. O problema é que costumamos enxergar apenas o instante em que eles acontecem.

Nesta edição, as histórias que reunimos mostram justamente o que acontece antes deles.

Jean Patton recebeu uma ligação que o levou aos palcos de uma turnê europeia ao lado do Sepultura. Mas aquela oportunidade não surgiu do nada. Ela encontrou um músico que já havia dedicado anos ao estudo, à estrada e ao aperfeiçoamento do próprio trabalho.

Andy Ferreira tomou decisões que, para muita gente, pareciam arriscadas demais. Deixou caminhos considerados seguros para reconstruir a própria trajetória em outro continente. Mais uma vez, a oportunidade encontrou alguém disposto a 

Eric Paulussi passou décadas perseguindo respostas sobre timbre. No processo, descobriu algo que muitos guitarristas levam anos para perceber: frequentemente, o próximo equipamento não resolve problemas que só podem ser corrigidos pelos nossos ouvidos.

Até mesmo histórias que fazem parte da memória coletiva da guitarra brasileira seguem a mesma lógica. O solo de “Ovelha Negra”, eternizado por Luiz Carlini, não nasceu apenas de inspiração. Ele foi resultado de repertório, experiência e sensibilidade acumulados ao longo de uma vida dedicada ao instrumento.

O mesmo vale para artistas contemporâneos que continuam expandindo os limites da guitarra, como Andrea Krakovská, por exemplo, que chamou a atenção de Joe Satriani com sua técnica e musicalidade, mas possui uma formação artística tão ampla que teria credenciais para seguir carreira até mesmo no Cirque du Soleil. 

Histórias diferentes, percursos distintos, mas todos conectados pela mesma característica: anos de preparação invisível que o público raramente enxerga. Oportunidades raramente escolhem quem está esperando por elas. Normalmente, elas encontram quem já está em movimento.

Por isso, enquanto muitos procuram o próximo equipamento, o próximo curso ou a próxima tendência, talvez a pergunta mais importante seja outra: o que estamos fazendo hoje para estar preparados quando aquele telefonema finalmente acontecer?

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