Mesmo entre lendas, atrito criativo é inevitável. Brian May contou à Guitar Player que o solo de “Don’t Stop Me Now”, do álbum Jazz (1978), quase não aconteceu.
Segundo May, Freddie Mercury idealizou a faixa como uma canção para piano no estilo de Elton John, sem espaço para guitarra.
“Freddie dizia: ‘Não, não, não, não — é uma música para piano!’”, relembra May. Mas o guitarrista insistiu, convencendo Mercury a permitir o solo, que se tornaria um dos momentos mais celebrados da história do grupo.
A dinâmica criativa entre May e Mercury
May descreve o processo como típico da parceria deles: debates intensos, testes de ideias e pequenos desvios melódicos que surgiam naturalmente no estúdio.
Eu conseguia ouvir o solo na minha cabeça antes mesmo de pegar a guitarra. Era uma contramelodia, algo que combinava com o verso e que eu conseguiria cantar”
Brian May
O resultado final trouxe um contraponto que aumentou a energia da música, especialmente em performances ao vivo, gerando reação imediata do público nas pistas de dança.
O solo não se resumiu à insistência criativa. May utilizou sua Red Special feita em casa, combinada com um Treble Booster e um Vox AC30, amplificador adquirido com a ajuda do saudoso Rory Gallagher.
Outro detalhe curioso: a palheta nada convencional de May era uma antiga moeda britânica, responsável pelo timbre único e vocal da execução.
Em retrospectiva, May celebra o solo como instintivo, simples e eficaz, reforçando que a química entre ele e Mercury era, justamente, a força por trás das grandes músicas do Queen.





