Embora muitas vezes surja como um efeito colateral acidental (e até indesejado), o feedback de guitarra acabou sendo adotado como mais uma ferramenta expressiva no vocabulário dos guitarristas. Ícones como Jimi Hendrix, Jeff Beck e Pete Townshend transformaram o ruído em arte. Mas quem chegou lá bem antes foi Buddy Guy — e tudo começou por acaso.
Em entrevista à NPR, Guy relembrou como a descoberta ocorreu nos clubes de Chicago, bem longe de palcos estruturados. “Em Chicago, naquela época, não tínhamos palco. A gente sempre tocava em um canto”, contou. “Durante os intervalos, ligavam a jukebox, e era assim que eu aprendia: ouvindo outros músicos, os grandes, Muddy Waters, Howlin’ Wolf e por aí vai.”
Foi em um desses shows que o acaso entrou em cena. “Um dia, esqueci de desligar a guitarra. Uma mulher passou, e a barra do vestido bateu na corda G”, lembrou Guy. “Aquilo ficou soando de forma distorcida por uns 20 minutos. Pensei: nunca vou esquecer isso.”
Segundo a matéria publicada pelo site Guitar World, o detalhe mais curioso da história é que a nota do feedback casou perfeitamente com a harmonia da música da jukebox. “Estava exatamente afinado com a canção que estava tocando.” Ali, a ficha de Guy caiu.
Desde então, ele passou a explorar conscientemente o feedback em seus solos, especialmente em apresentações históricas como Montreux e Austin City Limits. “Depois que descobri que ele podia sustentar e distorcer por tanto tempo, comecei a tocar parado exatamente naquele ponto — e funcionava.”




