A possibilidade de mudar a configuração sonora de uma guitarra sem precisar desmontar o instrumento ou recorrer a intervenções complexas é a proposta da Céleste LMNT. Desenvolvida pela marca francesa Céleste, a guitarra utiliza um sistema modular que permite substituir o conjunto de escudo, captadores e componentes eletrônicos em cerca de cinco minutos, com apenas dois parafusos.
A proposta é permitir que o músico adapte o instrumento às suas necessidades, seja para tocar ao vivo, gravar em estúdio ou explorar novas possibilidades sonoras. Com produção em pequenas séries prevista para começar em 2027, a LMNT combina essa solução com construção em madeiras selecionadas, ferragens próprias e um desenho voltado à ergonomia.
Céleste LMNT: como funciona a troca de eletrônica?
O principal diferencial da Céleste LMNT é o sistema proprietário LMNT, desenvolvido para facilitar a mudança entre configurações eletrônicas sem exigir modificações permanentes na guitarra.
Em vez de substituir captadores individualmente ou realizar alterações na fiação, o músico troca o conjunto completo, que reúne escudo, captadores e eletrônica. Segundo a fabricante, a operação leva aproximadamente cinco minutos e exige apenas dois parafusos.
A ideia é acompanhar a evolução das preferências do guitarrista. Quem começa com uma configuração mais simples pode migrar para uma opção com maior variedade de combinações sonoras, por exemplo, sem precisar trocar de instrumento.
Os módulos também são oferecidos separadamente pela marca, permitindo que o músico escolha novas configurações conforme suas necessidades.
Duas configurações de captadores
A Céleste LMNT é apresentada com duas opções principais de eletrônica: S e SSS. Ambas utilizam captadores single-coil Blackcoil Vintage Céleste, com ímãs de Alnico 5 e polos escalonados.
Configuração S
A versão S traz um captador na posição do braço e um controle de volume, sem controle de tonalidade. É uma proposta minimalista, com uma configuração eletrônica simplificada e acesso direto ao ajuste de volume.
Configuração SSS
A versão SSS reúne três captadores single-coil, distribuídos nas posições do braço, meio e ponte. O circuito inclui controles de volume e tonalidade, além de uma chave seletora de cinco posições.
Essa configuração oferece diferentes combinações entre os captadores, ampliando as possibilidades de timbre disponíveis no instrumento.
A principal vantagem do sistema modular é que a escolha inicial não precisa ser definitiva: a proposta da Céleste é permitir a troca entre configurações conforme o guitarrista desenvolve suas preferências e necessidades.
Construção e especificações da Céleste LMNT
Além da eletrônica intercambiável, a LMNT apresenta uma construção que combina madeiras tradicionais, braço parafusado e ferragens desenvolvidas pela própria marca.
O corpo solid body é feito de duas peças de amieiro europeu, enquanto o braço utiliza bordo torrado e a escala é de pau-rosa. O instrumento tem escala de 648 mm, raio de escala de 10 polegadas e 22 trastes.
Confira as principais especificações:
- Corpo: solid body em amieiro europeu, composto por duas peças.
- Braço: bordo torrado, com perfil Medium C.
- Escala: pau-rosa.
- Fixação do braço: parafusada, com quatro parafusos.
- Comprimento de escala: 648 mm.
- Raio da escala: 10 polegadas.
- Trastes: 22.
- Captadores: Blackcoil Vintage Céleste, single-coil com ímãs de Alnico 5 e polos escalonados.
- Configurações eletrônicas: S e SSS, intercambiáveis pelo sistema LMNT.
- Ponte: modelo fixo Hardtail Céleste, em aço inoxidável, integrado ao corpo.
- Carrinhos da ponte: latão maciço, compensados e ajustáveis.
- Tarraxas: blindadas, seis em linha.
- Acabamentos: Branco Marfim Fosco e Bordeaux Kuro Fosco.
A placa traseira de fixação do braço também é feita de aço inoxidável, com acabamento escovado e gravação a diamante. Já o escudo utiliza fibra de celulose vulcanizada.
Ergonomia para tocar sentado ou em pé
A Céleste também destaca o Ergodesign, conceito aplicado ao formato do corpo e à posição dos componentes. A guitarra possui chanfros amplos nas bordas, pensados para favorecer o contato com o corpo do músico durante sessões prolongadas.
Outro detalhe é a geometria do instrumento para tocar sentado na posição clássica, com o corpo apoiado entre as pernas. Segundo a fabricante, esse desenho busca proporcionar uma postura estável e equilibrada.
A saída de áudio também foi posicionada para não atrapalhar essa posição de execução, tanto em estúdio quanto no palco.
O braço em bordo torrado recebe acabamento fosco e perfil Medium C. A marca também informa que o tensor de dupla ação pode ser acessado diretamente pela região da cabeça, facilitando os ajustes de curvatura.
Ponte fixa e ferragens próprias
A LMNT utiliza uma ponte fixa Hardtail desenvolvida pela Céleste. A peça é fabricada em aço inoxidável maciço e fica integrada ao corpo, em conjunto com carrinhos compensados de latão.
A fabricante associa essa construção à estabilidade, à transmissão de vibração e à sustentação das notas. Esses benefícios fazem parte das características reivindicadas pela marca, e o resultado efetivo depende do instrumento e das condições de uso.
O conjunto é complementado por seis tarraxas blindadas dispostas em linha.
Quando a Céleste LMNT chega ao mercado?
A Céleste informa que o início da fabricação da LMNT está previsto para 2027, em pequenas séries. O modelo é apresentado em uma edição de lançamento limitada e numerada.
No site da marca, o preço indicado para a guitarra é de € 1.199 (cerca de R$ 7.255, desconsiderando taxas e impostos). A página também apresenta opções de configuração e acessórios, mas não há, nas informações fornecidas, confirmação de uma data específica para o início das entregas.
O estojo rígido Céleste Teardrop Deluxe é vendido como opcional. Fabricado na Itália, ele possui estrutura de madeira, revestimento externo preto, costuras brancas e interior acolchoado sob medida para o instrumento.
Com a LMNT, a Céleste aposta em uma ideia diferente para a evolução de uma guitarra: em vez de exigir a troca do instrumento ou alterações na eletrônica, o sistema modular permite mudar o conjunto sonoro preservando a base de construção. A proposta combina personalização e praticidade, com a possibilidade de adaptar a guitarra a diferentes momentos da trajetória do músico.













