Joe Satriani não parece muito preocupado com a idade ou a procedência de uma guitarra. Enquanto instrumentos vintage e modelos com acabamento relic despertam o interesse de colecionadores, o virtuoso prefere equipamentos que atendam às suas necessidades como músico. E, pelo visto, suas guitarras não precisam de ajuda para ganhar aparência envelhecida.
Em entrevista ap site Guitar.com, Satriani brincou que consegue transformar uma guitarra novinha em um instrumento com aparência bastante desgastada depois de apenas dois shows.
“Não tenho nenhuma guitarra com acabamento relic. Acho que nunca comprei uma Les Paul Tom Murphy de 14 mil dólares ou algo do tipo. Gosto de fazer todo o envelhecimento eu mesmo, para o qual parece que tenho um talento incrível. Me dê uma guitarra novinha em folha e, depois de dois shows, ela parece que alguém a colocou na secadora!”, contou.
O guitarrista acrescentou que já chegou a retirar instrumentos novos do estojo e arranhá-los acidentalmente. A declaração resume sua relação pouco sentimental com a aparência dos equipamentos: o desgaste, nesse caso, é consequência natural da rotina de apresentações.
Joe Satriani e Steve Vai não têm apego a guitarras famosas
A conversa também contou com Steve Vai, ex-aluno de Satriani e atual colaborador do guitarrista. Os dois discutiram a relação entre músicos e instrumentos históricos, incluindo a experiência de Vai com uma guitarra que pertenceu a Jimi Hendrix.
Durante um show da Experience Hendrix em Nova York, Vai teve a oportunidade de tocar a Stratocaster utilizada por Hendrix em Woodstock. O instrumento foi emprestado por Paul Allen, após um contato da equipe do evento.
A experiência, porém, não despertou nele o desejo de possuir uma guitarra histórica.
“Lembro-me de tocá-la e pensar: ‘É difícil de tocar’. Ela resistiu. Eu gostaria de tê-la? Não, na verdade não. Não tenho nenhum apego romântico a guitarras antigas ou guitarras de estrelas”, afirmou Vai.
Satriani concordou com o colega e explicou que ambos já sabem quais características procuram em um instrumento. Formato do braço e altura dos trastes, por exemplo, fazem parte de preferências construídas ao longo de anos tocando.
“Você e eu temos nosso formato de braço e altura de trastes favoritos. Tocamos com duas guitarras durante toda a turnê”, observou.
Para Satriani, a familiaridade com o instrumento é mais importante do que sua história. Ele também comentou que tocar uma guitarra associada a um músico lendário não significa adquirir automaticamente a mesma conexão que aquele artista tinha com ela.
A conversa acontece durante a divulgação de The Sea of Emotion, primeiro álbum completo de Satriani e Vai em colaboração. O projeto reúne dois guitarristas que, apesar de suas trajetórias e estilos próprios, compartilham uma visão bastante prática sobre os instrumentos que utilizam.





