Para muitos guitarristas, a Gibson Les Paul representa o padrão definitivo do rock. Para Matteo Mancuso, porém, existe um fator que fala mais alto do que qualquer tradição: a ergonomia.
Em uma nova entrevista à Guitar World, o virtuose italiano explicou por que a Yamaha Revstar se tornou seu instrumento principal e admitiu que o peso de uma Les Paul é um obstáculo real durante apresentações mais longas.
“Não consigo tocar uma Les Paul por duas horas seguidas porque minhas costas doem muito. Prefiro guitarras mais leves e com corpos menores”, afirmou o guitarrista.
A declaração surge pouco depois do lançamento de sua Yamaha Revstar RS20MM, modelo signature desenvolvido para reproduzir a sensação de sua Revstar customizada e atender às exigências de um músico que transita entre rock, jazz fusion e fingerstyle.
Ergonomia antes da nostalgia
Mancuso conta que cresceu cercado por guitarras. Filho de um guitarrista profissional, teve acesso desde cedo a Strats, Les Pauls, SGs e diversos outros modelos clássicos, experiência que o ajudou a entender exatamente o que buscava em um instrumento.
Segundo ele, a Revstar reúne características difíceis de encontrar em uma única guitarra: conforto, equilíbrio de peso e versatilidade sonora.
Um dos elementos decisivos é o corpo com câmaras acústicas, solução adotada pela Yamaha para reduzir o peso e acrescentar uma leve ressonância natural ao instrumento. Embora não transforme a guitarra em uma semiacústica tradicional, o recurso oferece mais conforto e um caráter acústico sutil perceptível durante a execução.
Os detalhes que moldaram sua signature
A RS20MM foi desenvolvida em colaboração direta com Mancuso e incorpora especificações escolhidas por ele para refletir seu estilo de tocar.
Entre elas estão os captadores DiMarzio PAF 36th Anniversary, selecionados por oferecerem saída moderada e grande dinâmica, funcionando igualmente bem em timbres limpos e distorcidos. O modelo também utiliza um sistema de chaveamento de cinco posições e o Focus Switch, circuito passivo que engrossa médios e graves para aproximar o comportamento de captadores com sobrebobinagem.
Outro detalhe valorizado pelo guitarrista são os marcadores Luminlay, que aumentam a visibilidade em palcos escuros, além das ferragens douradas e do acabamento inspirado em sua guitarra personalizada.
Ainda existe espaço para a Les Paul e a Telecaster
Apesar de eleger a Revstar como sua principal companheira, Mancuso deixa claro que não abandonou os instrumentos clássicos. Segundo ele, determinadas guitarras carregam uma identidade tão forte que acabam influenciando naturalmente a forma de compor e improvisar.
Quando pega uma Telecaster, por exemplo, diz pensar imediatamente em nomes como Brent Mason, Brad Paisley e Johnny Hiland. Já a Les Paul continua ocupando um lugar especial por seu caráter sonoro, mesmo que a ergonomia a torne menos prática para longas sessões.
Para Mancuso, a guitarra ideal não é necessariamente a mais icônica, mas aquela que permite transformar as ideias musicais em realidade com o máximo de conforto possível.






