Imagine a cena: Joanne Shaw Taylor, uma das guitarristas mais expressivas do blues contemporâneo, entra em uma loja em Nova York e vê sua guitarra dos sonhos — uma Telecaster signature do lendário Albert Collins, autografada pelo próprio. Para ela, era mais que um instrumento: era uma espécie de símbolo de admiração. Mas havia um detalhe bem prático: o preço era de cerca de US$ 5.000.
Sem ter todo esse valor, ela recorreu a ninguém menos que Joe Bonamassa — seu amigo, colega de cena e mestre nas negociações de gear. “Eu disse: ‘É minha guitarra dos sonhos, mas não tenho US$ 5.000’”, revelou Joanne em entrevista ao portal Guitar World. JoBo, sempre astuto, perguntou o que ela poderia pagar. Ela respondeu que conseguiria reunir uns US$ 4.000. Ele topou.
Eles voltaram juntos à loja. Bonamassa pegou a guitarra, testou, perguntou o preço — e propôs pagar os US$ 4 mil. O vendedor aceitou, mas com uma condição curiosa: uma foto de Bonamassa comprando. Ele concordou. A negociação foi selada, a foto foi tirada… e a guitarra foi para as mãos de Bonamassa. Literalmente. Ele simplesmente saiu da loja com o instrumento, que supostamente seria para Joanne. Segundo ela, Joe parecia ter “esquecido completamente” de que estava comprando o modelo por causa dela.
Uma inesperada intervenção
A história poderia ter ficado por isso mesmo, mas o destino interveio — na forma de Len Bonamassa, pai de Joe. Um tempo depois, Joanne comentou sobre o ocorrido com Len, que ficou extremamente indignado com a atitude do filho. Segundo ela, Len ligou para JoBo e “deu-lhe lições de bons modos”. Resultado: no dia seguinte, o guitarrista pediu seu endereço e, via correio, enviou a Telecaster para ela.
Hoje, Joanne trata a Tele de Albert Collins como uma peça afetiva em homenagem ao artista que moldou sua linguagem musical. E a história, que poderia ter virado briga, acabou se transformando em uma anedota saborosa sobre amizade, idolatria e o irresistível magnetismo que guitarras raras exercem até mesmo sobre os maiores colecionadores.
No fundo, mais que uma “trapaceada”, o episódio mostra duas vertentes do caráter de Bonamassa: o colecionador obstinado, que não hesita em usar sua influência para conseguir instrumentos raros; e o amigo generoso (ou pelo menos, quando pressionado pelo pai), que no final faz o que é justo, ético e correto.





