Mesmo com mudanças no consumo de música, no avanço dos softwares e na popularização de ferramentas digitais de produção, a guitarra continua ocupando um espaço central na formação de novos músicos.
Para Gina Gleason, guitarrista da banda Baroness, isso acontece porque o instrumento oferece algo que vai além do som.
Em entrevista ao site Guitar World, a musicista afirmou que a guitarra ainda carrega uma espécie de atração difícil de substituir: o desejo de entender como aquilo funciona.
Segundo ela, parte do fascínio está justamente nessa mistura entre impacto visual e complexidade técnica.
Curiosidade e descoberta ainda movem novos guitarristas
Gina define a guitarra como um instrumento que provoca investigação.
Ela explica que, à primeira vista, tocar pode parecer algo simples, mas basta ouvir com atenção para perceber a quantidade de informação envolvida.
Esse contraste entre aparência e profundidade cria uma relação diferente com o instrumento.
A guitarra é uma dessas coisas mágicas que ainda exercem esse poder. Ela parece incrível e até simples, mas você percebe que o que está acontecendo ali é complexo”
Gina Gleason
Essa vontade de descobrir como aquele som é construído continua sendo um dos principais motivos que levam alguém a começar.
Tocar guitarra também envolve identidade e pertencimento
A guitarrista também aponta que o instrumento está ligado a um forte senso de identidade.
Aprender riffs, montar um equipamento próprio e frequentar ambientes com pessoas que compartilham o mesmo interesse fazem parte da experiência.
Segundo ela, tocar guitarra também significa participar de uma cultura. Isso inclui desde a escolha de pedais até a relação emocional com determinados modelos de instrumento.
Ela compara guitarras ao universo dos carros clássicos: não se trata apenas da função, mas também da forma como cada peça representa gosto pessoal.
A Telecaster segue como referência sonora imediata
Ao comentar sobre a força da Fender Telecaster, Gina destacou a clareza e a resposta característica do modelo.
Para ela, guitarristas com ouvido treinado conseguem identificar esse timbre rapidamente dentro de uma gravação.
A artista cita nomes como Danny Gatton e Jimmy Bryant como exemplos dessa tradição. Segundo sua visão, a Telecaster carrega uma associação direta com precisão e controle técnico.
Ela resume dizendo que é um tipo de guitarra em que não há muito espaço para esconder falhas de execução.
Big Muff e EVH 5150 estão entre suas escolhas recentes
Além da reflexão sobre o instrumento, Gina também comentou seus equipamentos mais usados atualmente.
Ela revelou estar utilizando com frequência o pedal Electro-Harmonix Big Muff Op Amp para solos e reforço de sinal.
Segundo ela, a banda também utiliza versões modificadas do Big Muff durante as turnês.
Outro destaque foi o amplificador EVH 5150 EL34, que chamou sua atenção após testes recentes. A escolha reforça uma ideia importante: em 2026, tocar guitarra continua sendo tão sobre timbre quanto sobre descoberta.
O instrumento permanece relevante porque oferece experiência
Em um cenário dominado por praticidade e soluções imediatas, a guitarra ainda exige tempo, repetição e escuta.
Talvez seja justamente isso que a mantém relevante.
Mais do que um instrumento, ela continua funcionando como linguagem, identidade e processo. Para muitos músicos, o apelo não está apenas no resultado final, mas no caminho até ele.





