No universo das seis cordas, poucas perguntas soariam tão provocativas quanto essa. O tapping com as duas mãos, técnica que virou sinônimo de virtuosismo e espetáculo, pode ter uma origem menos linear do que muitos imaginam. E talvez a resposta não esteja apenas na guitarra.
Durante décadas, o crédito popular foi direto para Eddie Van Halen. Afinal, foi ele quem transformou o tapping em linguagem global com faixas como “Eruption”. Mas, nos bastidores da história, surge um contraponto curioso vindo do baixo elétrico.
Um baixista no encalço da história
O baixista Billy Sheehan afirma que já explorava o tapping com as duas mãos antes mesmo do estouro do álbum de estreia do Van Halen, em 1978. Segundo ele, a faísca surgiu após assistir a Billy Gibbons em um show do ZZ Top abrindo para Alice Cooper, por volta de 1973.
A cena foi suficiente para mudar sua abordagem. Ver a mão direita invadindo o braço do instrumento era algo raro na época. Quase um território proibido. Sheehan voltou para casa e começou a experimentar. O resto virou sua assinatura nos anos seguintes.
Mas a história não termina com um “eu cheguei primeiro”. Pelo contrário. O próprio baixista reconhece que a técnica já existia em formas embrionárias, citando nomes como Niccolò Paganini e Vittorio Camardese. A diferença estava na aplicação moderna e elétrica.
EVH: o homem que acendeu o holofote
Se Sheehan pode ter experimentado antes, foi Eddie Van Halen quem transformou o tapping em espetáculo de arena. E ele também tem sua própria versão da origem.
Inspirado ao assistir Jimmy Page com o Led Zeppelin, Eddie reinterpretou o movimento. Em vez de deixar a mão direita “flutuando”, ele a levou diretamente para o braço, expandindo o alcance da técnica.
A partir daí, o tapping deixou de ser um detalhe curioso e virou linguagem. Não mais um truque, mas um dialeto inteiro dentro da guitarra elétrica.
Outros nomes no tabuleiro
Como toda boa história do rock, essa também é cheia de caminhos paralelos. Steve Hackett já utilizava tapping em “The Musical Box”, enquanto Brian May explorava ideias semelhantes em “It’s Late”.
E há ainda Ace Frehley, que afirma ter sido observado de perto por Eddie antes do sucesso do Van Halen. Um daqueles momentos em que a história parece um jogo de espelhos.
No fim das contas…
Talvez a pergunta não seja “quem inventou?”, mas “quem transformou?”. O tapping com as duas mãos não nasceu em um único momento. Ele foi sendo moldado, testado e reinventado por diferentes músicos, em diferentes instrumentos.
E se existe um veredito possível, ele soa mais como um acorde aberto do que como uma nota única: Eddie Van Halen popularizou, Billy Sheehan desenvolveu à sua maneira, e vários outros ajudaram a construir o caminho.
No fim, o “ovo ou a galinha” da guitarra talvez seja só isso mesmo: uma história onde todo mundo colocou a mão no braço… literalmente.



