Se você sente necessidade de umas cordas a mais no seu play, mas não sabe por onde começar, seus problemas acabaram. Durante sua participação no Guitar Talks, o guitarrista Michel Oliveira, uma das principais referências em guitarras de alcance estendido do lado de cá da Linha do Equador, dá coordenadas certeiras para quem quer entrar nesse admirável mundo novo.
Michel afirmou que o caminho inicial passa pela imersão total no repertório já produzido com extended range. Ouvir discos, assistir a vídeos, acompanhar shows e analisar rig rundowns fazem parte do processo.
Segundo Michel, a comunidade dos adeptos de algumas cordas a mais é altamente colaborativa, com fóruns e discussões detalhadas sobre timbre, escalas, calibres de cordas e composição. A pergunta “como começar nas guitarrras de alcance estendido” é respondida a partir do minuto 29:20 vídeo abaixo:
Ele também citou Tosin Abasi como uma das principais referências contemporâneas do estilo, mas ressaltou a importância de não se limitar a uma única influência.
Entre os nomes que contribuíram para sua formação, destacou Charlie Hunter, conhecido pela abordagem híbrida com guitarra de oito cordas, e a banda sueca Meshuggah, fundamental na consolidação da estética moderna das afinações graves.
A ausência de um método fechado
Durante a conversa, o guitarrista revelou que desenvolve há anos um curso específico para guitarras de alcance estendido. O principal desafio, segundo ele, é criar uma didática própria, que não seja apenas uma adaptação superficial do método tradicional.
Michel explicou que muitos acabam seguindo dois caminhos extremos: estudar como se fosse apenas uma guitarra comum com cordas adicionais ou migrar direto para conceitos excessivamente avançados da guitarra padrão.
Para ele, nenhuma das abordagens resolve completamente a necessidade de uma metodologia direcionada.
Adaptação em vez de reinício
O conselho central do episódio foi evitar um “reboot” completo na forma de tocar. Michel lembrou que, em geral, quem parte para sete ou oito cordas já possui experiência prévia.
A recomendação é adaptar shapes, pentatônicas, arpejos e ideias já consolidadas nas seis cordas para o novo alcance do instrumento. Ele exemplificou que um guitarrista com base em hard rock pode começar explorando esse mesmo estilo em afinações mais graves, expandindo gradualmente para territórios mais progressivos.
Expansão da linguagem
Para Michel Oliveira, a guitarra de alcance estendido não representa ruptura, mas expansão. O foco deve estar na construção de identidade, aproveitando o que o músico já domina e ampliando seu campo harmônico e rítmico.
A participação no Guitar Talks reforça a crescente relevância das guitarras extended rRange no cenário atual e aponta caminhos práticos para quem deseja explorar essa sonoridade de forma consistente.




