O guitarrista e produtor musical Edgard Cabral é um dos entrevistados da ed. de nº 154 da Revista Guitarload. Com uma trajetória que atravessa diferentes gerações da música gospel brasileira, ele relembra histórias de sua formação, conta como aprendeu a trabalhar em estúdio e reflete sobre as transformações na produção musical.
A conversa passa por números expressivos, como os mais de 1.600 discos que Cabral afirma ter gravado até 2008, e por experiências que ajudaram a definir sua maneira de tocar. Entre elas estão trabalhos com artistas como Diante do Trono, André Valadão, Nívea Soares e Gabriela Rocha.
Do violão de 50 centavos ao circuito de jazz em MG
O primeiro contato de Cabral com a música aconteceu por meio do pai, que tocava acordeon, choro e sertanejo. A família vivia em uma comunidade sem energia elétrica, onde as apresentações improvisadas do músico reuniam mais de dez famílias.
Por volta dos 6 ou 7 anos, Edgard começou a se interessar pelo violão. O instrumento chegou à família por apenas 50 centavos, comprado de um vendedor ambulante e inicialmente destinado ao irmão mais velho. Como já estudava piano e sabia ler partituras, ele encontrou uma maneira de aplicar esses conhecimentos ao novo instrumento.

Aos 8 anos, já tocava com o pai. Após sua morte, começou a se apresentar em bares de jazz nas proximidades de Belo Horizonte, por volta dos 13 anos. Essa fase ajudou a desenvolver sua experiência musical e abriu caminho para o início da carreira profissional.
Os bastidores de gravações históricas
A aproximação com o trabalho de estúdio também foi decisiva. Em sua primeira gravação, Cabral exagerou nos elementos do solo e recebeu uma crítica direta do engenheiro de áudio. A experiência, embora frustrante, tornou-se uma lição sobre escolhas musicais e adequação ao projeto.
Em vez de se limitar à guitarra, ele passou a perguntar sobre compressores, pré-amplificadores e caminhos do sinal. Esse interesse ampliou sua atuação para áreas como gravação, mixagem e masterização.
Mais tarde, o trabalho com Gustavo Soares o aproximou de projetos importantes da música gospel. Entre as experiências lembradas na entrevista estão gravações ligadas ao Diante do Trono e ao primeiro DVD de André Valadão.
Cabral também conta como precisou assumir compromissos com pouquíssimo tempo de preparação. Em um dos episódios, recebeu o material de uma gravação na véspera do ensaio geral de um DVD com banda, orquestra e coral de mais de 500 vozes. Em outro, improvisou um solo para a música “Filho de Davi”, que acabou permanecendo na versão final do disco Águas Profundas.
Técnica, sensibilidade e identidade sonora
Ao comparar diferentes épocas da produção musical, o guitarrista reconhece que a tecnologia ampliou as possibilidades de gravação e divulgação. Ao mesmo tempo, critica a pressa por resultados e a tendência de tratar a música como um produto.
Para ele, dominar a técnica não basta. É preciso compreender a melodia, a harmonia e o papel de cada instrumento no arranjo. Um solo elaborado nem sempre é a melhor escolha, assim como acrescentar várias camadas de guitarra não garante um resultado musical mais interessante.
Essa visão também orienta sua relação com equipamentos digitais. Embora tenha começado no universo analógico, Cabral aprendeu a trabalhar com simuladores sem abandonar os princípios de timbragem que desenvolveu ao longo da carreira.
Na entrevista, ele ainda fala sobre seu projeto instrumental e explica por que continua estudando guitarra diariamente. Para o músico, a prática não é apenas uma exigência profissional, mas uma atividade ligada ao prazer de tocar e aprender.
A conversa completa com Edgard Cabral está na edição de nº 154 da Revista Guitarload, disponível gratuitamente em formato digital.






