O que faz um guitarrista ser chamado novamente para uma turnê? Para Leandro Esteves, a resposta passa por muito mais do que técnica, equipamento ou capacidade de executar solos difíceis.
Com mais de duas décadas de experiência como sideman na música gospel, o guitarrista construiu uma carreira acompanhando artistas e, ao mesmo tempo, transformou sua experiência de estrada em uma plataforma de ensino que hoje reúne mais de 50 mil alunos.
Na ed. de nº 154 da Revista Guitarload, Leandro conta os bastidores dessa trajetória e explica por que, para quem trabalha como músico acompanhante, saber tocar é apenas uma parte do trabalho.
“Antes de tudo, relacionamento”, resume.
O músico que sabe tocar para o artista
A formação de Leandro começou cedo. Filho de um baterista e criado em uma família ligada à música na igreja, ele começou na bateria antes de receber o primeiro violão, aos 11 anos.
Aos 14, iniciou os estudos formais e mergulhou de cabeça no instrumento. Durante uma fase particularmente intensa, chegava a passar 12 ou 13 horas por dia estudando guitarra, muitas vezes durante a madrugada.
Antes disso, porém, a igreja já havia desenvolvido uma de suas principais ferramentas profissionais: o ouvido.
Tocar acompanhando pessoas que mudavam de tom ou saíam da tonalidade obrigava Leandro a reagir rapidamente. A experiência acabou se tornando uma espécie de treinamento para o trabalho que viria depois.

O salto para a carreira profissional aconteceu quando começou a dar aulas e percebeu que tocar bem não significava necessariamente saber ensinar. A necessidade de preparar seus próprios alunos o levou a estudar harmonia e improvisação com intensidade.
O trabalho também abriu portas. Por meio de outros músicos e produtores, Leandro chegou a participar de gravações e turnês até receber a indicação que o levou a uma audição para a banda de Kleber Lucas. Ele chegou ao teste com o repertório preparado e, pouco depois, já estava na estrada.
Por que o virtuose pode ficar em casa?
A experiência acumulada levou Leandro a uma conclusão que pode incomodar alguns guitarristas: virtuosismo, sozinho, não garante uma carreira como sideman.
Para ele, o músico que acompanha um artista precisa entender o repertório, respeitar os arranjos e saber quando tocar e quando deixar espaço.
“Você não chega achando que vai tocar só o que você gosta”, explica.
A lógica vale inclusive para os momentos em que existe espaço para improvisar. O guitarrista precisa colocar sua personalidade na música, mas sem transformar cada oportunidade em uma demonstração de técnica.
Leandro cita nomes como Michael Landau, Michael Thompson, Tom Bukovac, Tim Pierce e Steve Lukather como exemplos de músicos capazes de tocar com enorme domínio técnico, mas que também sabem fazer a música funcionar.
Para ele, essa é uma das principais diferenças entre tocar para si mesmo e tocar para um artista.
Da estrada para uma plataforma com 50 mil alunos
Depois de mais de 20 anos viajando, a rotina de shows começou a cobrar seu preço. Leandro chegou a enfrentar períodos com 18 ou 20 apresentações e percebeu que precisava encontrar outra maneira de trabalhar com música.
A solução veio em 2018, quando mergulhou no marketing digital e decidiu criar sua própria plataforma de ensino.
Hoje, o projeto reúne mais de 40 cursos e mais de 50 mil alunos, permitindo que o guitarrista reduza sua dependência da estrada sem abandonar a atividade de educador.
Na entrevista completa publicada na Guitarload nº 154, o guitarrista também fala sobre presets, sua parceria com a Yamaha, captadores, cordas e outras marcas, além dos próximos passos de sua carreira.
Depois de anos conhecido principalmente como músico acompanhante e educador, Leandro Esteves agora quer ampliar essa definição: “pensar mais em mim como artista”.




