O que um rádio de mesa dos anos 1920 tem a ver com o som de um Marshall Plexi? Mais do que parece. A tecnologia que permitiu às famílias ouvir transmissões em suas salas também ajudou a criar as bases dos amplificadores que transformaram a guitarra elétrica. Essa conexão histórica é o tema de uma das reportagens da ed. de nº 155 da Revista Guitarload.
O ponto de partida é 1926, ano em que a National Broadcasting Company (NBC) inaugurou sua primeira rede permanente de rádio nos Estados Unidos. Naquele período, os receptores domésticos começavam a se popularizar, impulsionados por uma indústria que tornou as válvulas eletrônicas mais acessíveis e difundiu o conhecimento necessário para construir e reparar circuitos de amplificação.
A reportagem recua ainda mais no tempo, até 1906, quando Lee de Forest apresentou o Audion, dispositivo que daria origem ao triodo. Sua capacidade de amplificar sinais elétricos fracos foi fundamental para o desenvolvimento do rádio e de outras tecnologias de comunicação. Décadas depois, os mesmos princípios seriam aproveitados na construção dos amplificadores de guitarra.
Da bancada de rádio aos amplificadores de guitarra
Com a popularização dos instrumentos elétricos, nos anos 1930, fabricantes começaram a adaptar circuitos de amplificação já utilizados em equipamentos de rádio. Rickenbacker e Gibson estiveram entre as empresas que desenvolveram conjuntos comerciais de guitarra e amplificador, inicialmente voltados sobretudo para instrumentos havaianos.

Um dos personagens centrais dessa história é Leo Fender. Antes de fundar sua conhecida fabricante de instrumentos, ele trabalhava com reparos de rádios e sistemas de som na Califórnia. Esse conhecimento técnico influenciou diretamente sua abordagem na construção de amplificadores.
A reportagem acompanha essa trajetória até os modelos Tweed e o Bassman, lançado em 1952. Criado originalmente para amplificar baixos, o equipamento conquistou guitarristas e se tornou uma referência para fabricantes de amplificadores.
Como nasceu o som do Plexi
O caminho segue até a Inglaterra, onde Jim Marshall decidiu desenvolver equipamentos capazes de atender aos guitarristas que buscavam mais volume e agressividade sonora. Com a participação dos técnicos Ken Bran e Dudley Craven, ele utilizou o circuito do Fender Bassman como ponto de partida para criar o JTM45, apresentado em 1962.
A evolução desse projeto levou ao Super Lead de 100 watts, modelo 1959, que ganhou o apelido de Plexi por causa de seu painel frontal de plexiglas. O amplificador se tornaria uma das referências sonoras do hard rock e do heavy metal.
Além de reconstruir essa linhagem histórica, o artigo explica o funcionamento de componentes como pré-amplificadoras, válvulas de potência, transformadores de saída, retificadores e inversores de fase. O objetivo é mostrar quais características dessa tecnologia centenária continuam influenciando o timbre dos amplificadores atuais.
A reportagem integra a edição 155 da Guitarload, que celebra os 100 anos de uma tecnologia fundamental para a história da música e revela como uma invenção ligada ao rádio ajudou a construir o som da guitarra elétrica.






