Matt Bellamy construiu uma relação de décadas com a Manson Guitar Works como guitarrista do Muse. Em 2019, essa parceria ganhou uma nova dimensão: o músico se tornou proprietário da fabricante britânica, responsável por muitos dos instrumentos personalizados que utiliza nos palcos. Agora, ele busca ampliar os negócios com novos modelos, colaborações com artistas e pesquisas em tecnologias para guitarras.
Em entrevista à Guitar World, Bellamy explicou que pretende expandir a presença da Manson sem transformar a empresa em uma operação de grande escala. A estratégia é manter uma estrutura enxuta, desenvolver instrumentos de alta qualidade e colocá-los nas mãos de músicos capazes de ampliar o alcance da marca.
“Como uma pequena empresa, você precisa crescer com muita cautela. É fácil exagerar, mas estamos nos mantendo nesse nicho maravilhoso em que estamos”, afirmou.
Manson amplia o catálogo para além das guitarras de Matt Bellamy
Durante anos, a Manson ficou especialmente associada aos instrumentos de palco de Bellamy, conhecidos por incorporar circuitos de efeitos, controles incomuns e recursos personalizados. Modelos como 007 e Delorean ajudaram a consolidar essa identidade, enquanto réplicas de algumas guitarras do músico chegaram a valores de milhares de libras.
Sob a direção de Bellamy, a empresa também vem diversificando o catálogo para alcançar outros perfis de guitarristas. A linha Meta, fabricada pela Cort na Indonésia, leva elementos visuais associados ao músico a instrumentos com preços abaixo de US$ 900. Já a série Oryx, desenvolvida em parceria com Adam “Nolly” Getgood, explora uma proposta voltada à alta distorção e ao metal moderno.
A marca também trabalha com instrumentos personalizados para artistas como os integrantes da banda President. A intenção é aproveitar a reputação construída por Bellamy para desenvolver novas parcerias e alcançar públicos além dos fãs do Muse.
Graham Coxon terá guitarra exclusiva da Manson
Uma das próximas iniciativas é uma guitarra exclusiva para Graham Coxon, guitarrista do Blur. A colaboração começou de maneira informal, quando Coxon viu Bellamy tocando um instrumento que lembrava uma Telecaster, mas tinha características próprias.
Bellamy contou que Coxon ficou interessado na guitarra e pediu para experimentá-la. Depois do encontro, o vocalista comprou um exemplar para presenteá-lo. A experiência abriu caminho para o desenvolvimento de um modelo exclusivo.
A Manson também procura novos talentos nas redes sociais. Bellamy citou a guitarrista Emi Grace, com quem entrou em contato pelo Instagram para oferecer a oportunidade de experimentar um instrumento da marca. Para o empresário, as plataformas digitais permitem encontrar músicos que podem construir carreiras próprias, mesmo sem integrar bandas tradicionais.
“Vejo isso como uma expansão para nós, chegando eventualmente a alguns desses guitarristas e baixistas influenciadores do Instagram”, explicou.
Bellamy quer explorar inteligência artificial nas guitarras
O desenvolvimento de novas tecnologias também faz parte dos planos da empresa. Bellamy revelou que está estudando maneiras de incorporar recursos de inteligência artificial aos instrumentos, incluindo a possibilidade de controlar efeitos e timbres a partir de comandos.
O músico reconhece que o uso de IA pode gerar controvérsias, mas considera importante explorar possibilidades que diferenciem os produtos da Manson. Por enquanto, a ideia ainda está em fase de investigação, sem detalhes sobre implementação ou previsão de lançamento.
Entre os projetos em andamento, Bellamy também mencionou uma guitarra de oito cordas da linha Oryx e uma versão de produção de seu novo instrumento vermelho, associado ao álbum The Wow! Signal, do Muse.
A estratégia empresarial acompanha a evolução do Muse
A expansão da Manson está ligada à própria busca de Bellamy por novas possibilidades sonoras. No álbum The Wow! Signal, o guitarrista experimentou diferentes afinações, instrumentos de oito cordas e abordagens que aproximam o repertório recente das influências contemporâneas do rock.
Para ele, atualizar o som de uma banda com uma trajetória longa exige observar as tendências atuais sem abandonar a identidade construída ao longo dos anos. O mesmo raciocínio se aplica ao desenvolvimento de guitarras: novas tecnologias e configurações podem abrir caminhos criativos, desde que tenham uma função musical clara.
A trajetória da Manson mostra como a relação de um artista com seus instrumentos pode evoluir para além de acordos de endosso. Ao assumir o controle da fabricante, Bellamy passou a participar diretamente das decisões sobre produtos, colaborações e desenvolvimento tecnológico, procurando equilibrar crescimento comercial e especialização.





