Paul Reed Smith, fundador da PRS Guitars, respondeu à piada recorrente de que as guitarras da marca seriam caras demais para quem não trabalha como médico ou dentista. Em uma sessão de perguntas e respostas com a loja britânica Andertons, o empresário defendeu os preços da linha SE e argumentou que a fabricante fez esforços para tornar seus instrumentos mais acessíveis.
A provocação surgiu quando um espectador perguntou por que a PRS fabricaria guitarras destinadas apenas a dentistas. Smith entrou na brincadeira, mas contestou a ideia de que o público da marca se limita a profissionais com alto poder aquisitivo.
“Eu não sabia que Carlos Santana e John Mayer eram dentistas”, respondeu, citando dois dos músicos associados à PRS. Em seguida, acrescentou que essa percepção já não corresponde à realidade.
Linha SE é a principal resposta da PRS
Para sustentar seu argumento, Smith mencionou a linha SE, que reúne instrumentos com preços inferiores aos de modelos fabricados nos Estados Unidos e às opções personalizadas da marca.
O empresário destacou a SE Silver Sky, lançada em 2022 e desenvolvida em parceria com John Mayer. O modelo chegou ao mercado como uma alternativa mais acessível à versão original da guitarra, mantendo características centrais do projeto.
A guitarra custava cerca de £ 800 no mercado britânico, segundo a reportagem da Guitar.com. O preço ajuda a ilustrar a diferença entre a linha SE e os instrumentos de categorias superiores da fabricante.
“Fizemos tudo ao nosso alcance para tornar as SEs acessíveis”, afirmou Smith. Ele também citou a linha S2 como outra opção com preços mais baixos dentro do catálogo da PRS.
A reputação de guitarras voltadas a consumidores abastados, segundo o empresário, pode ter feito mais sentido no fim dos anos 1980. Desde então, a empresa ampliou sua oferta para diferentes faixas de preço.
Private Stock é outra proposta
Smith não negou, porém, que alguns instrumentos da PRS permaneçam fora do alcance de boa parte dos músicos. Ele citou a linha Private Stock, que reúne guitarras personalizadas e pode custar entre US$ 8 mil e US$ 14 mil.
Na avaliação do fundador, esses preços precisam ser considerados à luz do tempo, do trabalho e da habilidade envolvidos na fabricação de cada instrumento.
“Algumas pessoas podem dizer que um Private Stock não é acessível”, reconheceu. Para ele, entretanto, o valor cobrado é justificável pelo nível de personalização e pelo trabalho necessário para produzir essas guitarras.
A resposta ajuda a separar duas discussões que costumam se misturar quando o assunto é a PRS: o preço elevado de seus instrumentos de ponta e a existência de linhas desenvolvidas para atingir um público mais amplo.
A fabricante continua associada a guitarras premium, mas a linha SE mostra que seu catálogo não se limita aos modelos mais caros. Para Smith, portanto, a ideia de que apenas médicos e dentistas conseguem comprar instrumentos da marca já não descreve o mercado atual.
Confira a entrevista completa:






