A estética relic (envelhecimento artificial no acabamento de instrumentos) deixou de ser tendência passageira e se consolidou como uma das escolhas mais discutidas entre guitarristas. Agora, nomes da Fender ajudam a explicar por que esse visual segue em alta — e por que as críticas não parecem frear seu avanço.
Segundo os Masterbuilders Andy Hicks e Austin MacNutt, da Fender Custom Shop, o apelo do relic vai além da tentativa de simular décadas de uso.
De acordo com Hicks, muitos guitarristas não buscam autenticidade histórica ao escolher um acabamento relic.
A decisão passa mais por estética do que por narrativa. É uma preferência visual dentro do universo do instrumento. Isso confronta uma crítica recorrente: a ideia de que guitarras relic seriam uma forma de “merecer” artificialmente marcas de uso.
Para o construtor, esse argumento não reflete o comportamento real dos músicos. Quem opta por relic está interessado no visual, não em simular uma trajetória.
Entre o vintage real e o relic de fábrica
O contraste entre guitarras naturalmente desgastadas e modelos relic ajuda a entender o debate.
Instrumentos como a Stratocaster de Rory Gallagher carregam marcas reais de décadas de uso intenso. Já modelos atuais recriam esse visual como parte do design, funcionando como uma releitura estética.
Para a Fender, as duas abordagens coexistem sem conflito.
Personalização acima de julgamento

Outro ponto levantado pelos Masterbuilders é o papel do relic dentro da customização.
Cada músico possui um nível de desgaste preferido, que pode variar de marcas sutis a envelhecimento mais extremo. Dentro da Custom Shop, o objetivo é entregar exatamente o que o cliente busca, sem estabelecer critérios de “certo” ou “errado”.
Isso vale tanto para instrumentos relic quanto para modelos totalmente novos.
Debate continua, mas mercado segue aquecido
Apesar das críticas, o relic mantém forte presença no mercado. Fabricantes continuam investindo nesse tipo de acabamento, e a aceitação entre músicos permanece consistente.
Na prática, o tema se resume cada vez mais a gosto pessoal.
Enquanto alguns valorizam o desgaste construído ao longo dos anos, outros preferem começar com um instrumento que já carrega essa estética desde o primeiro contato.
Afinal, o que é estética relic?
A chamada estética relic consiste em aplicar, de forma controlada, sinais de desgaste em instrumentos novos para simular décadas de uso.
Riscos no corpo, verniz craquelado, ferragens com aparência envelhecida e áreas desgastadas no braço fazem parte desse processo.
A proposta não é reproduzir a história real de um instrumento, mas oferecer um visual inspirado em guitarras clássicas que envelheceram naturalmente ao longo do tempo.
Na prática, trata-se de uma escolha estética, semelhante à preferência por cores ou acabamentos.





