O guitarrista Carvin “King of Strings” Jones morreu no último dia 20 de setembro, aos 60 anos. A notícia foi confirmada por familiares e amigos em um comunicado publicado nas redes sociais, informando que o músico faleceu durante a madrugada, cercado por pessoas próximas.
Nascido em Lufkin, no Texas, e radicado em Phoenix, Arizona, Jones construiu uma carreira marcada muito mais pela força dos palcos do que pelos rankings de vendas. Seu blues, profundamente enraizado na tradição do leste do Texas, misturava elementos de gospel, R&B, rock e soul, levando esse repertório a públicos de 37 países ao longo de mais de três décadas.
A trajetória começou cedo. Influenciado pelos discos de B.B. King que ouvia na casa do avô, Carvin ganhou sua primeira guitarra aos sete anos, presente da avó. Praticamente autodidata, mudou-se para o Arizona aos 19 anos e transformou a cena blues de Phoenix em sua base artística.
O blues que conquistou Clapton
Entre as muitas apresentações internacionais, Jones dividiu o palco com nomes como B.B. King, Santana, Jeff Beck, Albert King, Albert Collins, Joe Cocker e The Fabulous Thunderbirds. Sua reputação como instrumentista também chamou a atenção de Eric Clapton, que certa vez o descreveu como “o próximo grande nome do blues”, reconhecimento que acompanhou sua carreira desde os anos 1990.
Em 2001, a revista Guitarist o incluiu entre os 50 maiores guitarristas de blues de todos os tempos, consolidando seu status como um dos principais representantes contemporâneos do gênero.
Uma carreira construída na estrada
Ao longo da carreira, Carvin lançou mais de uma dúzia de álbuns, mas sua identidade sempre esteve ligada às apresentações ao vivo. Conhecido por descer do palco para tocar no meio do público, ele transformava cada show em uma experiência de proximidade, característica frequentemente destacada por fãs e colegas de profissão.
Fora da música, dedicava-se ao basquete juvenil e criou o projeto Carvin Cares durante a pandemia, utilizando recursos próprios para distribuir alimentos a idosos em Phoenix. O comunicado da família destacou justamente essa generosidade como uma das marcas mais duradouras de sua personalidade.
5 faixas para conhecer o play de Carvin “King of Strings” Jones
Se você nunca ouviu Carvin Jones, o melhor caminho é começar pelos palcos. Seu fraseado reunia a agressividade do Texas blues, o groove do R&B e uma presença cênica que fazia cada solo soar espontâneo. Estas cinco músicas ajudam a entender por que ele conquistou admiradores como Eric Clapton e dividiu o palco com algumas das maiores lendas do gênero.
“Victory Is Mine”
Um dos cartões de visita de Carvin. A faixa mistura shuffle texano com frases explosivas de Stratocaster, revelando sua capacidade de alternar entre licks tradicionais e ataques cheios de energia sem perder o senso melódico.
“Party Hardy”
Blues elétrico com pegada de festa. A música mostra o lado mais divertido de Carvin, combinando groove, refrão contagiante e solos que parecem dialogar diretamente com o público, exatamente como acontecia em seus shows.
“Blues Is My Life”
Talvez a declaração artística mais explícita de Carvin Jones. O título não engana: a faixa é construída sobre um blues de andamento médio, onde cada frase privilegia expressão e sentimento muito mais do que velocidade.
“Money Shot”
Lançada no álbum What a Good Day, de 2018, “Money Shot” apresenta um Carvin Jones mais voltado ao funk e ao blues-rock. O wah-wah ganha destaque na guitarra, enquanto o groove mantém a faixa dançante e carregada de energia.
“I’m Lost”
“I’m Lost” mostra um lado mais melódico de Carvin Jones. A faixa faz parte de Victory Is Mine e conta com a participação de Carlos Segarra. Em vez de apostar apenas na força dos solos, Jones constrói a interpretação a partir de fraseados expressivos e de uma abordagem mais contida.






