O guitarrista Alex Skolnick, conhecido pelo trabalho no Testament e também por sua sólida carreira no jazz, acredita que o jazz nunca conseguiu conquistar o grande público por um motivo simples: o gênero jamais desenvolveu o mesmo apelo comercial voltado aos jovens que impulsionou o rock e o pop. E, segundo ele, essa vantagem histórica do rock também começa a desaparecer.
Em entrevista ao Ultimate Guitar, Skolnick afirmou que o jazz sempre foi encarado como uma forma de arte mais sofisticada, o que acabou limitando seu alcance popular.
“O jazz nunca teve aquele fator jovem, enquanto o rock e o pop foram impulsionados, em parte, pelo apelo à juventude”, explicou.
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Para o guitarrista, bandas como The Beatles precisaram passar por uma transformação comercial antes de alcançarem o status artístico pelo qual são lembradas atualmente.
“Eles tiveram que entrar naquela máquina, ser fofinhos, usar ternos e criar todo aquele hype que atraía os jovens.”
Segundo Skolnick, esse tipo de estratégia jamais aconteceu com o jazz em larga escala. Ele cita Frank Sinatra, durante a era do swing, como um dos poucos artistas ligados ao gênero que conseguiu mobilizar uma audiência jovem.
Apesar disso, ele reconhece que há uma nova geração de músicos talentosos dedicados ao jazz, mas ressalta que esse grupo continua pequeno quando comparado ao universo do pop.
Nem o rock escapa da mudança
Durante a conversa, Skolnick fez uma observação que chamou atenção: na visão dele, o próprio rock já não possui a mesma força entre as novas gerações.
“Eu costumava dizer que isso acontecia com o rock, mas o rock parece estar encolhendo demograficamente também.”
Para o guitarrista, a combinação entre apelo comercial e identificação com o público jovem foi determinante para transformar o rock em fenômeno mundial, algo que nunca ocorreu com o jazz.
O jazz continua influenciando grandes guitarristas
Embora não tenha alcançado o mesmo sucesso comercial, Skolnick defende que o jazz permanece como uma das maiores escolas para qualquer músico. Ele também destacou que elementos do gênero aparecem em diversos artistas do rock, citando nomes como Peter Frampton, George Benson, Chicago e Blood, Sweat & Tears como exemplos dessa conexão.
As declarações acompanham o lançamento de Jazz-Rock Guitar Improvisation, novo livro escrito por Skolnick em parceria com Dave Rubin, dedicado à improvisação e à integração entre linguagem jazzística e guitarra rock.





