Mais de quatro décadas após o lançamento de Holy Diver, Vivian Campbell revelou detalhes surpreendentes sobre a criação de um dos solos mais emblemáticos da história do heavy metal. O guitarrista afirmou que o solo de “Rainbow in the Dark”, clássico lançado por Ronnie James Dio em 1983, foi gravado em uma única tomada e sem qualquer planejamento prévio.
A revelação surgiu durante uma entrevista recente ao MusicRadar, na qual Campbell revisitou sua passagem pelo Dio e falou sobre a insegurança que sentia na época, apesar de integrar uma das bandas mais importantes do metal.
Segundo o músico, a gravação aconteceu de forma espontânea e o resultado final acabou sendo preservado na versão definitiva da música.
Solo clássico surgiu sem planejamento
Atualmente integrante do Def Leppard, Vivian Campbell tinha apenas 20 anos quando ingressou no Dio em 1982. A responsabilidade era enorme. Afinal, Ronnie James Dio já havia construído sua reputação ao lado de nomes como Ritchie Blackmore e Tony Iommi.
Durante a entrevista, Campbell explicou que, naquela fase da carreira, costumava confiar totalmente na inspiração do momento.
“Eu não planejava meus solos naquela época”, afirmou.
Por isso, quando chegou a hora de gravar “Rainbow in the Dark”, ele entrou no estúdio sem uma ideia definida do que tocaria.
“Eu não fazia ideia do que estava fazendo”, recordou.
Apesar da aparente falta de preparação, a primeira tentativa acabou produzindo um dos solos mais celebrados do heavy metal.
Primeira tomada acabou entrando no álbum
Segundo Campbell, ele passou o dia tocando escalas em Lá menor para se preparar para a gravação. Depois de horas ajustando timbres, posicionamento de microfones e equipamentos, chegou o momento de registrar o solo.
O resultado impressionou imediatamente Ronnie James Dio. De acordo com o guitarrista, assim que a primeira execução terminou, o vocalista elogiou a performance e perguntou se ele gostaria de tentar novamente.
Campbell aceitou gravar uma segunda versão, mas o resultado ficou muito abaixo da primeira tentativa. Ao perceber isso, a banda decidiu manter a gravação original. Aquele registro espontâneo acabou se tornando a versão que milhões de fãs conhecem até hoje.
Insegurança acompanhava o guitarrista
Apesar do sucesso obtido com o álbum Holy Diver, Campbell revelou que sempre foi extremamente crítico em relação ao próprio trabalho.
O músico afirmou que se considerava o elo mais fraco da formação clássica do Dio. Segundo ele, seu estilo de tocar parecia cru e pouco refinado quando comparado aos demais integrantes da banda.
Essa insegurança ficou ainda mais evidente durante as gravações do álbum seguinte, The Last in Line (1984).
Campbell contou que se sentia tão pressionado pela presença de Ronnie James Dio e do engenheiro Angelo Arcuri no estúdio que frequentemente pedia para que ambos deixassem a sala enquanto gravava seus solos.
Participação em álbum histórico
Lançado em 1983, Holy Diver é amplamente considerado um dos discos mais importantes da história do heavy metal. Além da faixa-título e de “Rainbow in the Dark”, o álbum apresentou músicas como “Don’t Talk to Strangers”, “Invisible” e “Shame on the Night”.
Campbell também teve participação ativa na composição do material, assinando cinco das nove faixas do álbum. Mesmo tendo deixado a banda após o terceiro disco de estúdio, o guitarrista reconhece hoje a importância daquele período para sua trajetória.
Mais de 40 anos depois, ele afirma sentir orgulho do trabalho realizado ao lado de Ronnie James Dio, mesmo admitindo que não compreendia totalmente a dimensão daquilo que estava construindo na época.





