O guitarrista Billy Brandão venceu em segunda instância o processo contra a Gollog, braço de cargas da Gol, pela destruição do violão Takamine que o acompanhou por 33 anos de carreira. A Justiça fixou a indenização em R$ 40 mil, valor abaixo dos R$ 60 mil pedidos pela defesa e que o músico considerou insuficiente diante da história do instrumento.
A ação pedia R$ 10 mil por danos materiais, quantia equivalente a um modelo similar encontrado no mercado de usados dos Estados Unidos, e R$ 50 mil por danos morais, que compensam prejuízos sem valor de mercado, como o afetivo e o histórico. Na primeira instância, a Justiça concedeu os R$ 10 mil materiais e reduziu os morais para R$ 30 mil.
A Gollog recorreu, mas perdeu novamente na segunda instância, que manteve os valores da sentença original. Descontada a parte do advogado, um terço do total, Billy ficou com cerca de R$ 28 mil. Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, ele fez as contas e chegou a algo próximo de R$ 80 por mês de história do instrumento.
Para o músico, a quantia não compensa a perda nem do ponto de vista moral, nem do emocional. Ele também avalia que o valor é irrisório para uma empresa do porte da Gollog e, por isso, não funciona como punição capaz de mudar os procedimentos adotados no transporte de equipamentos.
Como foi o incidente com o violão de Billy Brandão
O violão foi destruído em junho, na volta de dois shows de Billy com Paula Toller em Santa Catarina. O instrumento viajou como carga, acomodado em um estojo rígido da Warwick, junto com os equipamentos de toda a banda, que chegaram intactos. Apenas o Takamine apareceu com o tampo, o braço, o fundo e a lateral quebrados, sem chance de reparo.
Segundo o guitarrista, uma funcionária da Gol relatou por telefone que o violão caiu de uma carreta no trajeto entre a aeronave e o desembarque, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. A equipe teria encontrado o estojo na pista, aberto e constatado o dano, fechado novamente e entregue o instrumento sem avisar o dono.
Fabricado no Japão em 1991 e comprado por Billy em 1992, durante uma viagem a Nova York, o Takamine foi praticamente o único violão do músico ao longo da carreira. Ele está em trabalhos com Léo Jaime, Paulinho Moska, Lobão e Paulo Ricardo, incluindo a regravação de “Cruz e Espada” com Renato Russo, além de gravações para TV e trilhas sonoras.
Billy Brandão vira alvo de golpe após receber a indenização
O caso ainda ganhou um desdobramento inesperado. Poucas horas depois de receber o depósito, Billy recebeu uma mensagem no WhatsApp de um número desconhecido, com a foto do seu advogado. O golpista dizia estar em uma audiência e oferecia um suposto acordo de R$ 51 mil, que precisaria ser aceito na hora por meio de uma videoconferência.
Desconfiado, o músico manteve a conversa sem clicar no link enviado, recurso comum em golpes para instalar programas que dão acesso remoto ao celular ou ao computador da vítima. O falso advogado acabou sumindo antes de concluir a abordagem.
Billy Brandão agradeceu a mobilização do público, que compartilhou em massa o vídeo do violão destruído e levou a Gol a procurá-lo na época. Para ele, o processo está encerrado, mas o debate sobre o tratamento dado a bagagens e instrumentos de quem viaja de avião continua em aberto.






