Poucos riffs são tão instantaneamente reconhecíveis quanto “Smoke on the Water”, clássico do Deep Purple lançado em 1972. Presença constante em lojas de instrumentos, aulas de guitarra e testes de amplificadores, a música costuma ser tratada como um dos primeiros passos de qualquer guitarrista iniciante.
Mas, segundo Simon McBride, essa fama de “riff fácil” esconde uma armadilha que muitos músicos ignoram.
Em entrevista ao podcast dopeYEAH talk, o guitarrista afirmou que “Smoke on the Water” é tecnicamente simples, mas extremamente difícil de executar da maneira correta.
“A beleza está justamente na simplicidade”, diz McBride
De acordo com McBride, o maior erro dos guitarristas é tentar sofisticar um riff cuja força está exatamente no minimalismo.
“As pessoas sempre dizem: ‘é fácil’. Tecnicamente, é fácil, mas não é fácil de tocar”, explicou o músico.
Segundo ele, fatores como dinâmica, precisão rítmica e controle da execução fazem toda a diferença. O guitarrista também destacou que muitos músicos exageram ao adicionar vibratos, frases extras e pequenas ornamentações que descaracterizam o peso original do riff.
“A beleza de ‘Smoke on the Water’ está na simplicidade. É preciso ter disciplina para não tocar nada além do que realmente está ali”, afirmou.
McBride ainda comentou que o impacto do riff surge justamente da construção coletiva da banda, quando guitarra, baixo, bateria e teclados entram juntos criando a famosa “parede sonora” que marcou gerações.
Deep Purple aposta na simplicidade como linguagem universal
Durante a conversa, Simon McBride também refletiu sobre como boa parte do catálogo clássico do Deep Purple foi construída a partir de estruturas relativamente simples.
Segundo ele, essa abordagem ajudou a transformar músicas da banda em clássicos universais do rock.
“Smoke on the Water tem basicamente três acordes. Muitas das grandes músicas do Deep Purple funcionam assim”, explicou.
McBride citou ainda “Perfect Strangers” como outro exemplo de composição baseada em poucos acordes, mas sustentada por interpretação forte, dinâmica coletiva e identidade sonora.
“Smoke on the Water” segue entre os riffs mais tocados do planeta
Mesmo mais de cinco décadas após seu lançamento, “Smoke on the Water” continua sendo um fenômeno cultural dentro do universo da guitarra.
Recentemente, o CEO da Guitar Center, Gabe Dalporto, revelou que o riff permanece entre os mais executados nas lojas da rede, ao lado de músicas como “Master of Puppets”, do Metallica, “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, e “Schism”, do Tool.
Décadas depois, o riff criado por Ritchie Blackmore segue funcionando como uma espécie de rito de passagem da guitarra elétrica: aparentemente simples, mas difícil de dominar em sua essência.





