O guitarrista e músico de estúdio Larry Carlton revelou detalhes inéditos e pouco conhecidos sobre sua breve e decepcionante participação nas gravações de Rock ’n’ Roll, álbum solo de John Lennon lançado em 1975. Em entrevista à revista Thinking About Guitar, Carlton afirmou que a experiência foi tão desorganizada e pouco profissional que decidiu abandonar o projeto antes do fim das sessões.
O relato joga nova luz sobre um período turbulento da vida de Lennon, marcado por conflitos pessoais, disputas legais e um processo de gravação conturbado que já havia sido amplamente documentado por biógrafos e jornalistas musicais.
Um momento instável na vida de John Lennon
O início dos anos 1970 foi um dos períodos mais complexos da trajetória de John Lennon. À época das gravações de Rock ’n’ Roll, o músico enfrentava a separação de Yoko Ono, o desgaste emocional do fim definitivo dos Beatles e um processo judicial por violação de direitos autorais envolvendo “Come Together”.
Como resultado desse processo, Lennon foi obrigado a incluir covers do catálogo da editora Big Seven Music em seu próximo álbum, o que ajudou a moldar o conceito de Rock ’n’ Roll como um disco dedicado a clássicos do gênero. Apesar da proposta nostálgica, o clima nos bastidores estava longe de ser leve.
A sessão que nunca engrenou
Segundo Carlton, o produtor Phil Spector havia convocado diversos músicos para sessões noturnas nos estúdios da A&M, em Los Angeles. O guitarrista contou que chegou pontualmente às sete da noite para tocar ao lado de nomes como Leon Russell, mas nem Lennon nem Spector apareceram no horário marcado.
A espera se estendeu por horas, sem qualquer orientação ou explicação. Para ocupar o tempo, Carlton e Russell improvisaram informalmente em outro estúdio, sem saber se a sessão realmente aconteceria.
Quando Lennon e Spector finalmente chegaram, por volta das dez da noite, o clima não melhorou. Carlton descreveu Lennon como visivelmente embriagado, tentando conduzir a gravação do clássico “Bony Moronie” de forma confusa e improvisada, ditando mudanças de acordes de maneira desordenada.
“Não foi profissional”
O guitarrista foi direto ao resumir a experiência. Para ele, faltaram organização, respeito ao tempo dos músicos e direção artística clara. Após o fim da sessão, Carlton decidiu que não retornaria para os dias seguintes de gravação.
Ainda naquela noite, ele ligou para o escritório de Phil Spector e deixou um recado informando que não participaria do restante do projeto. Segundo o músico, a decisão foi motivada não apenas pelo caos da sessão, mas pela sensação de que aquele não era um ambiente criativo saudável.
Carlton afirmou que a situação foi especialmente frustrante por envolver um artista que ele admirava profundamente, mas destacou que aquele período específico da vida de Lennon parecia emocionalmente difícil.
Um contraste com outros relatos
Apesar da experiência negativa de Carlton, outros músicos de estúdio guardam lembranças bem diferentes de trabalhar com John Lennon. O baixista Tony Levin, conhecido por seu trabalho com o King Crimson, relembrou em entrevista recente ao Ultimate Guitar sua participação no álbum Double Fantasy, lançado em 1980.
Levin descreveu Lennon como acessível e profissional durante as gravações, afirmando que seu único arrependimento foi não ter pedido para tirar uma foto com o músico. O contraste entre os relatos reforça como diferentes fases da vida de Lennon impactaram diretamente sua postura em estúdio.





