Lloyd Baggs trabalha há cerca de quatro décadas para encontrar maneiras mais naturais de captar e amplificar o som do violão. Seu projeto mais recente é o HiFi DNA, desenvolvido pela Baggs em parceria com a Gibson.
Em entrevista ao canal Gibson TV, Baggs explicou como a relação entre as duas empresas levou à criação do sistema e quais mudanças técnicas diferenciam o novo projeto do HiFi original.
Uma parceria que começou em 1987
A relação entre Baggs e Gibson não começou com o HiFi DNA. Segundo Lloyd Baggs, a empresa fornece componentes para a fabricante desde 1987, inicialmente para violões de cordas de aço.
Anos mais tarde, a Gibson passou a utilizar o HiFi original em alguns modelos. O sistema também ganhou espaço entre artistas da marca, que começaram a solicitar a tecnologia em seus instrumentos.
Baggs conta que chegou a discutir com a Gibson uma expansão da relação comercial envolvendo uma versão exclusiva do HiFi. O problema era que outros fabricantes já haviam adotado o sistema.
A própria Gibson então propôs outro caminho: desenvolver um novo projeto que fosse exclusivo da marca durante determinado período e representasse uma evolução em relação ao HiFi original.
O que muda no transdutor
O HiFi DNA continua utilizando dois transdutores instalados na ponte. Para Baggs, essa posição apresenta uma vantagem importante porque afasta o sensor das cordas e do rastilho, permitindo captar uma parcela maior da resposta do corpo do instrumento.
O novo sistema, porém, utiliza transdutores diferentes dos encontrados no HiFi original. Baggs afirma que eles são mais leves, flexíveis e sensíveis.
Segundo o engenheiro, cada sensor possui 25% da massa e aproximadamente 20% da espessura do componente utilizado anteriormente.
A redução também faz parte da tentativa de melhorar a resposta do conjunto e sua capacidade de captar as vibrações do instrumento.
Dois sinais tratados separadamente
A principal mudança do HiFi DNA, entretanto, está na eletrônica.
No HiFi original, os sinais dos dois transdutores eram combinados e enviados para um único pré-amplificador. No novo sistema, cada sensor possui seu próprio estágio de pré-amplificação.
Baggs compara a arquitetura a uma gravação feita com dois microfones. Em vez de juntar os sinais antes da pré-amplificação, cada elemento recebe seu próprio tratamento.
A Baggs desenvolveu um pré-amplificador discreto Classe A para cada transdutor, com qualidade de estúdio e ajustes específicos para a posição de cada sensor.
Isso significa que os dois sinais não compartilham exatamente o mesmo ganho ou a mesma equalização. Cada pré-amplificador trabalha individualmente para preservar e condicionar seu respectivo sinal antes que os dois sejam somados.
Para Baggs, essa separação permite manter maior integridade entre as duas partes do som captado pelo violão. No HiFi original, a soma acontecia antes dessa etapa de tratamento.
O objetivo por trás do HiFi DNA
A experiência de Baggs com a amplificação acústica começou nos anos 1980, quando ele passou a desenvolver captadores depois de trabalhar com guitarras de fibra de carbono. Desde então, seu trabalho passou por captadores, pré-amplificadores e instrumentos como o AEG-1, lançado em 2024.
Ao falar sobre o HiFi DNA, o engenheiro relembra as dificuldades enfrentadas pelos músicos nos primeiros anos da amplificação acústica e cita Ry Cooder como exemplo de uma época em que encontrar um som satisfatório no palco era um desafio.
Para Baggs, o objetivo sempre foi tornar essa experiência mais natural e agradável. Por isso, ele considera o HiFi DNA o projeto que mais se aproxima desse resultado em sua trajetória.
O sistema será exclusivo da Gibson por três anos e equipa modelos como Hummingbird, Dove, J-45, SJ-200, Songwriter, L-00 e LG-2. O HiFi DNA também pode ser adquirido como kit de atualização por US$ 299 (aproximadamente R$ 1.550) no mercado internacional, sem considerar taxas, juros e impostos.





