Nuno Bettencourt, guitarrista do Extreme, acredita que o rock moderno perdeu algo essencial: a alma. Em entrevista recente, ele afirmou que qualquer pessoa pode aprender a tocar guitarra, mas poucos conseguem transmitir energia e presença no palco. Para Nuno, a música precisa ir além da técnica — é a combinação de atitude, emoção e química entre músicos que transforma uma performance em algo memorável.
Segundo o guitarrista, o problema atual do rock não é a falta de habilidade, mas o excesso de complexidade sem significado. “Muitas bandas estão preocupadas em mostrar técnica, efeitos e velocidade, mas esquecem que rock é experiência, não só virtuosismo”, disse. Ele reforça que a essência do gênero está na “mitologia do rock”: aquela aura que envolve a música, a banda e a relação com o público.
Complexidade versus simplicidade intencional
Nuno introduz um conceito que ele chama de “simplexity”. Trata-se da habilidade de criar arranjos simples que soem profundos e cheios de personalidade. Para ele, solos mirabolantes ou riffs complicados não garantem emoção ou conexão. A simplicidade bem trabalhada permite que cada nota tenha significado, mantendo a musicalidade e a força da performance.
Ele ressalta que a geração atual tem acesso a uma infinidade de técnicas e ferramentas, mas muitas vezes se perde em excesso de informações. “A técnica é importante, mas sem emoção, tudo soa vazio. É preciso saber usar habilidade para servir a música, não só para impressionar”, afirmou Bettencourt.
O retorno da essência no álbum Six
O lançamento do álbum Six e do single “Rise” mostra que o público ainda valoriza o rock com alma. As reações de fãs, críticos e outros guitarristas foram positivas, confirmando que a música que combina técnica, emoção e presença ainda encontra espaço no cenário contemporâneo. Nuno acredita que este é o caminho para reviver o espírito do rock clássico: unir virtuosismo à performance cheia de atitude.
Ele também destaca que tocar rock envolve mais do que dominar acordes e escalas. É preciso energia no palco, interação com a banda e a capacidade de criar momentos que fiquem na memória de quem assiste. “O rock é performance, não só instrumento. Sem presença e paixão, a música perde sua força”, disse.
Lições para guitarristas e bandas
Para músicos em geral, a mensagem de Nuno Bettencourt é clara: focar apenas em técnica não é suficiente. É necessário trabalhar a musicalidade, a química do grupo e a capacidade de transmitir emoção. A busca por um rock com alma exige equilíbrio entre habilidade e sentimento, simplicidade e profundidade.
Além disso, ele reforça que performances memoráveis surgem quando o guitarrista entende seu papel dentro da música, sem competir com si mesmo ou com outros membros da banda. A atitude no palco e a entrega ao público são tão importantes quanto qualquer solo ou riff virtuoso.
O que o rock ainda pode ensinar
Bettencourt acredita que a essência do rock nunca se perdeu totalmente, mas precisa ser lembrada. Bandas que investem em emoção, presença e simplicidade intencional têm mais chances de reconquistar o público. A técnica serve como ferramenta, não como objetivo final. Rock é sobre experiência, conexão e a mitologia que envolve cada nota, cada riff e cada performance.
Em resumo, Nuno Bettencourt mostra que o verdadeiro desafio de tocar rock hoje não é tocar rápido ou complexo, mas tocar com alma. O guitarrista reafirma que rock moderno de qualidade é aquele que emociona, cria história e mantém viva a magia do gênero, provando que simplicidade e sentimento valem mais do que qualquer virtuosismo isolado.





