Geddy Lee, icônico baixista e vocalista do Rush, sempre foi conhecido por analisar o rock além do óbvio — não apenas como músico, mas como alguém atento ao contexto cultural que moldou toda uma geração. Mesmo sendo considerado um dos maiores inovadores do baixo, ele já comentou diversas vezes como, nos primeiros anos do rock, quase ninguém sonhava em ocupar essa função.
Relembrando o início da carreira, Lee disse que muitos baixistas acabavam no instrumento mais por “falta de opção” do que por vocação. “Na minha época, ninguém escolhia ser o baixista”, afirmou. “Você sempre era guitarrista, e alguém dizia: ‘Bom, precisamos de um baixista’, então rolava uma votação e você virava o baixista. Foi assim que eu virei baixista: eu fui eleito.”
Segundo ele, o padrão era que a maioria dos jovens mirasse nos grandes heróis da guitarra, como Jimi Hendrix, Eric Clapton e Jimmy Page, enquanto o baixo ficava em segundo plano, mesmo sendo essencial. Apesar disso, Lee sempre se definiu primeiro como fã de música.
Seu gosto vai de clássicos como Led Zeppelin até nomes modernos como Björk e Radiohead, mas poucas bandas marcaram tanto sua formação quanto o Cream. Em entrevista à Rolling Stone em 2020, ele afirmou que o trio com Jack Bruce, Clapton e Ginger Baker era seu favorito na juventude: “Eles eram, disparados, minha banda favorita quando fiquei velho o suficiente para apreciar rock de verdade.”
A influência foi tão forte que moldou os primeiros passos do Rush. “Cream foi uma influência enorme no início do Rush e em mim como baixista”, explicou. “A gente fazia nossa própria versão de ‘Spoonful Tocávamos em cafés, bailes de escola… Tentamos muito emular o Cream nos primeiros dias do Rush.”
Guitarrista imbatível
Mas, quando o assunto é guitarra, Lee aponta um nome acima de todos: Jeff Beck. Em entrevista à Guitar World em 2009, ele foi direto: “Se eu tivesse que escolher meu guitarrista favorito de todos os tempos, provavelmente seria Jeff Beck. Quer dizer, já existiu um som de guitarra melhor do que esse?”
Lee contou que a versão de Beck para “I Ain’t Superstitious”, de Willie Dixon, ajudou a moldar o som do Rush. “Acho que este foi o primeiro grande ‘momento’ de Jeff Beck. A primeira vez que você ouvia algo e sabia que não poderia ser ninguém além dele”, disse.
“Ele foi um pioneiro incrível. Um estilista simplesmente fenomenal. As notas que ele tirava daquele instrumento com uma alavanca de vibrato, um botão de controle de volume e os dedos eram simplesmente incríveis”, finalizou a lenda do Rush.
As informações são do site Society of Rock.



