Aos 81 anos, Robin Trower continua desafiando a lógica da indústria musical. O guitarrista britânico acaba de lançar Shine, seu 37º álbum de estúdio como artista principal, e afirma que nunca esteve tão focado em compor quanto nesta fase da carreira.
Em entrevista à Guitar Player, Trower atribuiu sua impressionante produtividade a um hábito simples: tocar guitarra todos os dias. “As ideias surgem quando estou improvisando”, resume o músico, que lançou nove álbuns na última década, incluindo colaborações com Maxi Priest e Sari Schorr.
Shine nasceu de um fluxo contínuo de composições
Lançado em 25 de setembro, Shine reúne dez faixas produzidas pelo próprio Trower, que também gravou as guitarras e o baixo. Nos vocais principais está Richard Watts, acompanhado pelo baterista Chris Taggard e pelo baixista Jeff Hayes.
Segundo o guitarrista, ele raramente compõe pensando em um álbum específico. Em vez disso, trabalha simultaneamente em dezenas de músicas e, quando chega a hora de gravar um disco, seleciona as que melhor funcionam em conjunto.
“Cada música é tratada individualmente. Sempre sobram faixas para o próximo álbum”, explica.
“O melhor ainda está por vir”
Apesar de ser lembrado por clássicos como “Bridge of Sighs”, Trower afirma que evita olhar para trás. Ele diz que praticamente não escuta seus discos antigos e prefere concentrar toda a energia na próxima composição.
“Se você me perguntasse nos anos 70, eu jamais imaginaria que ainda estaria fazendo isso aos 81. Sou grato pelas minhas bênçãos todos os dias. Você tenta aproveitar ao máximo o que tem.”
Essa mentalidade também aparece nas letras de Shine, que abordam temas como mortalidade, política e esperança. Faixas como “Live Your Time” defendem viver plenamente mesmo em tempos difíceis, enquanto “The Race” reflete sobre seguir em frente sem perder a curiosidade criativa.
Mais melodia, menos impulso
Trower acredita que sua maior evolução como guitarrista não está na técnica, mas na maturidade musical. Se nos anos 1970 seus solos eram movidos principalmente pela intensidade, hoje ele busca construir frases mais melódicas e cantáveis.
A experiência, segundo ele, também tornou o processo de composição mais direto. Quase todas as músicas começam da mesma forma: uma ideia de guitarra que, se realmente tiver potencial, revela seu caminho em cerca de uma hora de trabalho.
Mesmo depois de mais de cinco décadas de carreira, o britânico mantém uma filosofia simples: continuar crescendo. “Você desiste quando sente que não está criando algo novo. O mais importante é criar algo que você nunca fez antes”, conclui.






