O exército do palco barulhento pode estar perdendo terreno, mas Chris Turpin se recusa a entregar suas armas. Em um vídeo da Premier Guitar, o guitarrista da banda Mirador revelou que considera o palco silencioso uma afronta à cultura da guitarra.
A conversa aconteceu durante o quadro Rig Rundown, onde Turpin e seu companheiro de batalha Jake Kiszka apresentam seus equipamentos.
O “botão de ejeção” de Chris Turpin
Com um setup enraizado na tradição, Turpin revelou como o seu Sun Face da Analog Man funciona como um “botão de ejeção” sonoro, garantindo que o combate pelo volume real continue vivo, custe o que custar para os ouvidos da primeira fila.
O pedal Analog Man Sun Face, especificamente a versão equipada com transistores RCA BART, é uma recriação meticulosa do clássico Fuzz Face, um efeito de distorção saturada que definiu o som de lendas como Jimi Hendrix nos anos 60. O guitarrista descreve o Sun Face como seu dispositivo de emergência para momentos de clímax no show.
Ele utiliza o pedal com os dois controles no máximo, extraindo uma sonoridade agressiva que “limpa” bem quando o volume da guitarra é reduzido. Chris brinca que o pedal serve para “passar por cima” do som de Jake Kiszka quando a dinâmica da música exige uma explosão de ganho.
A escolha por equipamentos boutique e circuitos tradicionais reforça a identidade sonora do músico. Ao usar ingredientes clássicos como guitarras Gibson Les Paul e amplificadores Marshall, a dupla busca uma estética que remete à era de ouro do rock britânico. Para Turpin, essa combinação não é apenas uma questão de timbre, mas de uma filosofia que prioriza a “luta” com o instrumento no palco.
A resistência contra o palco silencioso e o som direto
A parte polêmica da entrevista, ainda que abordada de forma divertida, surge quando o tema são os silent stages (palcos silenciosos).
Enquanto a indústria caminha a passos largos para a conveniência dos simuladores digitais e fones de ouvido in-ear, Turpin caminha na direção oposta. Para ele, a interação física entre a guitarra e o ar movido pelos falantes é insubstituível.
Atualmente, muitos produtores preferem que não haja barulho no palco, conectando as guitarras em simuladores digitais que vão direto para a mesa de som. Turpin reconhece a qualidade de equipamentos modernos como o Line 6 Helix, mas afirma que essa não é a proposta do seu trabalho.
Ele acredita que o rock precisa de volume saindo do chão, criando uma experiência visceral tanto para quem toca quanto para quem assiste.
O músico se autodenomina, junto aos seus colegas, como um dos últimos “homens surdos no palco”. Essa brincadeira ilustra a resistência de uma geração que ainda acredita no feedback e na pressão sonora como ferramentas de expressão artística.
Turpin afirma que é necessário lutar contra a tendência de silenciar as apresentações ao vivo. Para o guitarrista do Mirador, o equipamento digital é incrível para certas situações, porém não substitui a alma de um amplificador valvulado levado ao limite.
No fim das contas, a opinião de Chris Turpin é de que a tecnologia deve servir ao artista, e não o contrário. Enquanto houver guitarristas dispostos a carregar caixas pesadas e lidar com o zumbido de pedais de fuzz, o exército do barulho nos palcos continuará ocupando as trincheiras do rock clássico.
Confira o trecho específico abordado nesta matéria a partir do minuto 21:00:





