Paul Reed Smith, fundador da PRS Guitars, detalhou sua visão sobre as limitações técnicas da Fender Telecaster e explicou como buscou aperfeiçoar essas características em seus próprios modelos. As declarações foram feitas durante entrevista recente ao The Zak Kuhn Show, quando o luthier discutiu aspectos específicos que considera problemáticos no design clássico da Telecaster.
Os comentários de Smith surgem no contexto do sucesso comercial dos modelos NF 53 e MK (assinatura de Myles Kennedy) da PRS, lançados em 2023, que se tornaram as guitarras mais vendidas da empresa naquele ano, ocupando respectivamente o primeiro e segundo lugares em vendas.
Problemas identificados e soluções propostas
Smith apontou deficiências específicas que identificou na Telecaster, instrumento que mantém sua popularidade há mais de 70 anos entre guitarristas de diversos gêneros musicais. “As Teles são instrumentos maravilhosos, mas elas têm alguns problemas. Um deles é que elas perdem a firmeza na corda mi aguda. Nós trabalhamos muito para evitar isso”, afirmou o luthier.
O captador do braço das Telecasters também foi alvo de críticas: “A segunda coisa é que o captador do braço é muito fraco e tem uma cobertura tão espessa que impede a passagem de parte do sinal. Para os meus ouvidos, esse captador é pouco utilizável. É por isso que as pessoas colocam humbuckers na posição do braço… Trocar o captador do braço nas Teles era algo normal de se fazer. Eu estava tentando manter tudo o que ela tem de bom e me livrar do que é ruim.”
No vídeo da entrevista, Smith demonstra fisicamente as diferenças entre os modelos, segurando uma guitarra enquanto explica os aprimoramentos técnicos implementados. Ele enfatiza que suas criações não são cópias, mas sim instrumentos que preservam as qualidades sonoras apreciadas pelos músicos enquanto resolvem problemas específicos de design.
Sobre a ponte característica da Telecaster, conhecida como “cinzeiro”, Smith explicou sua abordagem diferenciada: “A forma como a ponte cinzeiro funciona é: você tem três parafusos que controlam a inclinação e a altura do captador. A ponte cinzeiro era uma forma de moldura para o captador. Eu não queria copiar isso. O que eu queria era algo que fizesse o que o músico quer, e que não perdesse a firmeza nas cordas agudas. Que tivesse aquela pegada, sabe, e que o captador do braço soasse melhor.”
Nem tudo está errado
Apesar das críticas técnicas, Smith reconheceu as qualidades da Telecaster: “Eu gosto de Telecasters. Você pode tocar qualquer coisa, de jazz a hard rock, em uma Telecaster. E adivinha? Você pode tocar qualquer coisa, de jazz a hard rock, nesta aqui. Eu estava tentando me livrar dos problemas e manter a personalidade do som que você já conhece.”
A NF 53 e a MK foram interpretadas por muitos como alternativas à clássica Telecaster, embora Smith nunca tenha declarado explicitamente essa intenção. O desempenho comercial desses instrumentos ocorreu enquanto o mercado debatia se representavam uma tentativa de competir diretamente com o modelo da Fender.
A entrevista completa, você confere no vídeo abaixo:





