O Radiohead sempre foi conhecido por abraçar experimentações musicais e tecnologias inovadoras em estúdio. Nos palcos, porém, a história era diferente. Durante décadas, a banda britânica manteve uma postura conservadora em relação aos sistemas sem fio para guitarras e microfones, preferindo a confiabilidade e a resposta sonora dos cabos tradicionais.
Essa resistência só foi superada em 2025, quando o grupo voltou aos palcos para uma série de apresentações na Europa. Segundo Simon Hodge, responsável pela mixagem de PA da banda, a mudança aconteceu apenas após a equipe encontrar uma solução capaz de reproduzir fielmente o comportamento sonoro de um cabo convencional.
“O entendimento sempre foi que os sistemas sem fio não soavam tão bem quanto um cabo e, por isso, não seriam adotados”, explicou o profissional.
Testes cegos no estúdio de Jonny Greenwood foram decisivos
De acordo com Hodge, a equipe conheceu a tecnologia Astral Wireless, da Sound Devices, e percebeu que ela oferecia recursos pouco comuns em sistemas do gênero.
Entre os diferenciais estavam ajustes de impedância e capacitância capazes de reproduzir características elétricas presentes em cabos de instrumento tradicionais, algo considerado fundamental para preservar a resposta dos captadores e dos pedais utilizados pela banda.
Ainda assim, o Radiohead não aprovou a mudança imediatamente. Antes da decisão final, o sistema foi levado ao estúdio de Jonny Greenwood para uma série de testes cegos comparando a nova tecnologia com os cabos preferidos do grupo.
Segundo Hodge, os resultados surpreenderam até os integrantes mais céticos da equipe técnica. “A qualidade do sinal era evidente e não alterava o som em absolutamente nada”, afirmou.
Novo sistema simplificou logística dos shows
Além da qualidade sonora, o wireless trouxe benefícios operacionais importantes para a produção da banda.
A estrutura utilizada na turnê contou com:
- 3 receptores Sound Devices Astral ARX32
- 42 transmissores Astral TX
- 6 microfones sem fio Astral HH
- Sistema integrado via rede Dante
- Controladores personalizados para músicos e técnicos
A solução permitiu centralizar o gerenciamento de dezenas de instrumentos utilizados durante o espetáculo. Segundo Hodge, por exemplo, o guitarrista Ed O’Brien viajou com 32 guitarras diferentes durante a turnê.

Pela primeira vez, todas puderam permanecer acessíveis simultaneamente em uma única interface, tornando as trocas de instrumentos mais rápidas e eficientes.
Radiohead segue rejeitando playback e correções digitais
Apesar da adoção do wireless, a banda continua fiel à filosofia de apresentações totalmente orgânicas.
Hodge destacou que o grupo não utiliza backing tracks nem sistemas de correção vocal durante os shows. Segundo ele, qualquer tecnologia incorporada à produção precisa contribuir para a experiência musical sem comprometer a autenticidade das performances.
A pressão para entregar apresentações impecáveis é grande, mas o Radiohead prefere investir em soluções que preservem a execução real dos músicos em vez de recorrer a recursos considerados artificiais.
Tecnologia finalmente alcançou as exigências da banda
A declaração de Simon Hodge ajuda a explicar uma discussão recorrente entre guitarristas profissionais: a diferença entre cabos tradicionais e sistemas sem fio.
Durante muitos anos, o consenso entre técnicos e músicos era que as soluções wireless sacrificavam nuances importantes do timbre. Para o Radiohead, esse fator foi suficiente para impedir a adoção da tecnologia.
Somente quando os testes demonstraram que o sistema conseguia reproduzir com precisão a resposta sonora dos cabos preferidos da banda é que a mudança foi aprovada.
Pelo relato da equipe, o resultado foi tão convincente que o sistema Astral acabou se tornando parte permanente da estrutura de shows do grupo.




