Robin Davey não poupou críticas a Joe Bonamassa ao discutir os rumos do blues contemporâneo. O guitarrista da banda Beaux Gris Gris & the Apocalypse acusa o músico norte-americano de influenciar uma geração que, em sua avaliação, privilegia o retorno financeiro em detrimento da criatividade.
“O blues de hoje foi estragado por Joe Bonamassa”, declarou Davey. “Sua influência permeou as gerações mais jovens, e isso me dói nos ouvidos. É desprovido de alma. Trata-se apenas de maximizar os lucros e o ego de Joe.”
As declarações foram publicadas em meio à divulgação de The Blues According to Gutbucket Slim, segundo álbum solo de Davey. O músico britânico apresenta o trabalho como uma tentativa de explorar novos caminhos para o gênero, afastando-se do que considera uma fórmula repetitiva no circuito de festivais.
“Estou cansado do fluxo interminável de blues branco que domina o circuito de festivais de blues”, afirmou. Na sequência, criticou a composição e a identidade musical de artistas que, segundo ele, apresentam abordagens semelhantes entre si.
As avaliações refletem a opinião de Davey sobre o cenário atual. Bonamassa, por sua vez, segue como um dos nomes mais conhecidos do blues contemporâneo, com uma carreira que começou ainda na infância e recebeu apoio de B.B. King.
Robin Davey quer levar o blues para outras direções
Em vez de reproduzir uma fórmula tradicional, Davey pretende combinar diferentes referências musicais. Entre suas influências estão Jeff Beck, Rage Against the Machine, Lightnin’ Hopkins, Stevie Ray Vaughan e B.B. King. O músico também cita Guy Forsyth, que participa de uma das faixas do novo álbum.
O disco incorpora elementos de rap e hip-hop, com uma sonoridade que Davey situa entre Jimi Hendrix e Gorillaz. A proposta parte da ideia de que o blues pode continuar se transformando ao absorver linguagens de outras gerações.
“O álbum é a minha visão do que o blues pode ser”, explicou.
O guitarrista também questiona a resistência a mudanças dentro do gênero. Para ele, os músicos mais jovens precisam encontrar novas formas de trabalhar com essa tradição, em vez de apenas reproduzir as convenções estabelecidas por gerações anteriores.
“Este álbum não é para os puristas do blues. Essa geração já passou, e nós, como uma nova geração, temos que pensar de forma diferente sobre isso”, afirmou.
Álbum tem ambição artística, não comercial
The Blues According to Gutbucket Slim é o primeiro lançamento solo de Davey desde Blues Emporium, de 2010. A distância entre os dois trabalhos torna o novo disco um momento importante em sua trajetória individual.
Apesar das críticas contundentes ao mercado, Davey não espera que o álbum alcance grande sucesso comercial. O músico reconhece que a proposta pode ter alcance limitado, mas considera importante apresentar uma alternativa ao que identifica como um cenário pouco aberto à experimentação.
“Este disco não vai fazer muito sucesso. Não sei se alguém vai ouvi-lo, mas estou lançando-o para que talvez ajude as pessoas a pensar de forma diferente sobre o que o blues pode ser”, disse.
Bonamassa segue como figura central do blues contemporâneo
As críticas de Davey contrastam com a posição de destaque que Bonamassa ocupa no gênero. O guitarrista norte-americano tem participado de eventos importantes dedicados ao blues e à guitarra, incluindo o Crossroads Guitar Festival, organizado por Eric Clapton, e celebrações em homenagem a Buddy Guy.
O embate também expõe uma discussão mais ampla sobre a relação entre tradição, popularidade e renovação musical. Enquanto Davey defende a incorporação de novas influências e questiona a homogeneidade que enxerga no circuito de festivais, sua crítica a Bonamassa concentra o debate sobre o papel dos artistas mais populares na definição dos rumos do gênero.
A proposta de The Blues According to Gutbucket Slim é colocar essa discussão em prática. Em vez de buscar a aprovação dos puristas, Davey aposta na mistura de estilos como forma de ampliar as possibilidades do blues.





