Samantha Fish revelou recentemente um conselho recebido de Luther Dickinson que mudou completamente sua forma de encarar os solos de guitarra. Conhecida por seu trabalho no blues contemporâneo, a artista contou que, no início da carreira, costumava aproveitar cada oportunidade para exibir todos os recursos técnicos que dominava, até perceber que isso nem sempre servia à música.
Em entrevista à Guitar Interactive Magazine, Fish explicou que sua abordagem mudou durante as gravações do álbum Wild Heart, lançado em 2015. Foi naquele período que recebeu uma orientação direta de Dickinson que acabaria redefinindo sua maneira de compor e improvisar.
Samantha Fish admite que exagerava nos solos no início da carreira
Segundo a guitarrista, era comum utilizar uma grande quantidade de frases e licks sempre que surgia um espaço para um solo.
“Quando eu era jovem, sempre que tinha a oportunidade de fazer um solo de guitarra, eu usava todos os truques que conhecia”, afirmou. “Estou no mundo do blues, então em muitas jam sessions o importante é improvisar em cima da forma original, e eu dizia coisas como: ‘Aqui está esse lick, aqui está esse lick’.”
A postura é familiar para muitos guitarristas em desenvolvimento. O desejo de demonstrar técnica frequentemente leva o músico a priorizar velocidade, vocabulário e complexidade em vez da construção musical da própria canção.
O conselho de Luther Dickinson que mudou tudo
A mudança aconteceu durante as sessões de gravação de Wild Heart.
Fish relembra que estava tentando construir um solo quando Dickinson interrompeu sua execução com uma observação bastante direta.
“Eu estava tentando fazer um solo, e ‘tentando’ é a palavra-chave aqui, e ele chegou e disse: ‘É tudo besteira!’.”
Samantha Fish
Na sequência, Dickinson apresentou uma abordagem completamente diferente.
Segundo a guitarrista, ele explicou que a música já possuía uma melodia forte e que o solo deveria dialogar com ela, em vez de ignorá-la.
“Tem uma melodia na música; você consegue ouvir o refrão quando está cantando. Você precisa pegar isso e construir algo em cima disso, criar um contra-refrão e desenvolver a partir daí”, recorda.
A ideia levou Fish a enxergar o solo não como um momento isolado, mas como uma continuação natural da composição.
Por que os grandes solos costumam receber aplausos
A partir daquela experiência, Samantha Fish passou a prestar mais atenção à construção melódica de seus improvisos.
Ela percebeu que muitos dos solos mais marcantes utilizam um conceito relativamente simples: apresentar uma ideia, desenvolvê-la e, no momento de maior tensão, retornar ao tema principal.
“Percebi que é isso que você faz; você cria um gancho, desenvolve a partir dele, tece algo empolgante, e se você consegue retornar a esse gancho no final do solo, quando ele atinge seu ápice, é daí que vêm os aplausos”, explicou.
Para a guitarrista, existe algo especialmente poderoso quando o solo se conecta novamente à melodia que o ouvinte já conhece.
Em vez de soar como uma demonstração técnica desconectada do restante da música, ele passa a reforçar elementos que já estavam presentes na composição.
Da técnica à musicalidade
Fish afirma que a lição mudou sua forma de pensar a guitarra.
Hoje, ela procura construir solos que contribuam para a narrativa da música, explorando dinâmica, espaço e desenvolvimento melódico antes de recorrer a recursos puramente técnicos.
“Na música, o que estamos tentando fazer além de compor melodias incríveis que realmente cativem as pessoas?”, questionou.
A guitarrista reconhece que, durante os primeiros anos de carreira, estava excessivamente preocupada em mostrar tudo o que era capaz de fazer no instrumento. Com o tempo, descobriu que ideias simples, quando executadas com intenção e musicalidade, costumam gerar resultados mais impactantes.
Essa filosofia pode ser percebida em seus trabalhos mais recentes, incluindo Paper Doll Live, nos quais a construção das canções e das melodias ocupa papel central.
Para Samantha Fish, a maior lição foi compreender que um grande solo não nasce necessariamente da quantidade de notas tocadas, mas da capacidade de reforçar e expandir a emoção que a música já transmite.




