O fim de uma banda pode representar o encerramento de um ciclo, mas também abrir espaço para caminhos inesperados. Para Tom Morello, o término do Rage Against the Machine e do Audioslave foi um dos grandes fracassos de sua carreira. Paradoxalmente, também permitiu que o guitarrista explorasse diferentes facetas de sua identidade musical.
Em entrevista à Guitar World, Morello revisitou esses momentos e explicou como eles influenciaram a criação de Yet Everyone Gets Everything They Want, seu novo álbum solo. O músico descreve o trabalho como seu disco mais pesado desde a estreia homônima do Rage Against the Machine.
“Não consegui manter o Rage Against the Machine e o Audioslave juntos. Eu tinha essas duas bandas enormes e elas se desfizeram”, afirmou. Para ele, porém, o encerramento dos projetos abriu espaço para experiências que dificilmente teria vivido de outra maneira.
Morello também destacou a liberdade de transitar entre diferentes linguagens musicais. Além dos riffs pesados e solos característicos de sua trajetória, o guitarrista mantém uma relação próxima com o folk e a música acústica. Ele faz apresentações solo desde 2001, mas conta que apenas recentemente passou a integrar uma banda elétrica de maneira mais consistente.
O novo álbum nasceu justamente dessa vontade de registrar em estúdio a energia das apresentações recentes com a Freedom Fighter Orchestra. Morello queria reunir elementos de sua trajetória no rock e levá-los a novas direções.
Roman Morello assina cinco músicas do novo álbum
Outro aspecto importante do disco é a participação de Roman Morello, filho adolescente do guitarrista. Ele coescreveu cinco das faixas e também toca guitarra no projeto.
Tom não esconde o orgulho ao falar sobre o talento do filho. Ao ser questionado sobre novos guitarristas que considera especialmente promissores, respondeu com humor: “Não é nepotismo quando seu filho é tão bom assim”.
Na avaliação do músico, Roman possui uma habilidade natural de percepção musical que ele próprio precisou desenvolver ao longo de muitos anos. Morello também admite que alguns riffs compostos pelo filho representam desafios até para seus próprios dedos.
A faixa-título é um exemplo. Segundo ele, a construção do riff é pouco intuitiva para sua maneira de tocar. Em outra música, “Soldier in the Army of Love”, Roman criou passagens pentatônicas que o pai também precisou trabalhar para executar.
Aceitar os erros faz parte do estilo de Morello
A entrevista também trouxe reflexões sobre o processo criativo do guitarrista. Morello afirma que aceitar os erros é uma característica constante de sua maneira de tocar, especialmente durante os solos.
Em vez de preparar cada passagem antecipadamente, ele costuma experimentar combinações inesperadas de pedais e observar o resultado. O músico conta que o produtor Brendan O’Brien frequentemente ria de suas escolhas durante as gravações do Rage Against the Machine e do Audioslave.
Para Morello, existe uma diferença entre a inspiração necessária para compor e a técnica utilizada para transformar uma ideia em uma gravação. É justamente nesse espaço de experimentação que ele encontra parte de sua identidade musical.
Com Yet Everyone Gets Everything They Want, o guitarrista reúne algumas dessas características em um trabalho que representa uma nova etapa de sua carreira, sem abandonar os elementos que o tornaram conhecido.






