O fim das atividades do Black Sabbath não significou uma pausa na carreira de Tony Iommi. Aos 78 anos, o guitarrista segue envolvido em diferentes projetos e prepara o lançamento de From the Dark, seu primeiro álbum solo em 21 anos. Em entrevista à Guitar World, ele falou sobre a rotina depois do último show da banda, a possibilidade de voltar aos palcos e a vontade de continuar explorando novos caminhos musicais.
O disco representa uma nova etapa na trajetória de Iommi. Inicialmente concebido como um trabalho instrumental, o projeto ganhou outra direção quando o músico decidiu compor para um vocalista. A escolha foi Jorn Lande, cantor norueguês cuja voz o guitarrista já admirava. O álbum também reúne Becky Baldwin, do Mercyful Fate, no baixo, e Karl Brazil, baterista da banda de Robbie Williams.
A gravação aconteceu sem a pressão de prazos rígidos. Diferentemente de trabalhos anteriores, Iommi preferiu alternar períodos de composição e gravação com intervalos de descanso. Segundo ele, a liberdade para trabalhar no próprio ritmo tornou o processo mais agradável.
“Este álbum foi diferente dos outros que fiz. Não havia pressão porque não havia data de lançamento nem nada do tipo”, explicou.
Tony Iommi não descarta voltar aos palcos
Depois de décadas de turnês com o Black Sabbath, o guitarrista não pretende repetir a rotina de longas viagens pelo mundo. Isso, porém, não significa que tenha abandonado a ideia de tocar ao vivo. Questionado sobre apresentações para promover From the Dark, ele afirmou que ainda não existem planos definidos, mas demonstrou interesse em fazer alguns shows.
“Não pretendo fazer turnês mundiais nem nada do tipo. Isso acabou com o Sabbath, mas seria interessante fazer algumas coisas esporádicas”, declarou.
A possibilidade de novas apresentações também aparece em meio às lembranças do Back to the Beginning, realizado em Birmingham, em julho de 2025. O evento marcou a última performance da formação clássica do Black Sabbath, com Ozzy Osbourne, Geezer Butler, Bill Ward e Iommi.
O guitarrista contou que inicialmente não queria participar do encontro. A decisão mudou quando soube que o evento teria finalidade beneficente. Os ensaios, no entanto, foram emocionalmente difíceis. Iommi revelou que ficou impressionado com a condição física de Ozzy, que enfrentava problemas de saúde.
“Foi muito difícil, porque eu estava muito acostumado com o Ozzy pulando, correndo até mim e me agarrando”, lembrou. Apesar da dificuldade, ele afirmou estar feliz por ter participado daquela última apresentação ao lado dos antigos companheiros.
Novos projetos e uma parceria de décadas com Brian May
A vida depois do Sabbath também tem permitido a Iommi explorar colaborações pouco convencionais. Entre os trabalhos recentes, ele destacou a participação no projeto musical de Robbie Williams e a composição de faixas para uma linha de perfumes. O guitarrista afirmou que gosta de experimentar propostas diferentes e não pretende limitar suas atividades a um único formato.
From the Dark também aproxima Iommi de outro nome histórico da guitarra: Brian May, do Queen. O músico participa da faixa “Death Wakes”, com um solo gravado em uma Red Special. A guitarra foi preparada especialmente para Iommi, que contou ter pedido ao amigo que levasse alguns instrumentos ao estúdio.
“Eu o incentivei. Eu disse: ‘Traga umas guitarras’. ‘Por quê?’ ‘Só traga…’”, contou, aos risos. Os dois mantêm uma amizade de mais de seis décadas e continuam conversando sobre a possibilidade de lançar um álbum em parceria.
Ao falar sobre seus próximos passos, Iommi preferiu não estabelecer metas específicas. “Vou deixar as coisas acontecerem naturalmente. Estou aberto a muitas coisas diferentes e gosto de tudo”, afirmou.
A declaração ajuda a definir o momento do guitarrista. Depois de encerrar um dos capítulos mais importantes da história do heavy metal, Tony Iommi não demonstra pressa em parar. Seu próximo movimento pode vir de um álbum, de uma colaboração ou de apresentações pontuais. Por enquanto, a aposentadoria não parece fazer parte dos planos.





