Tosin Abasi voltou a provocar debate no universo da guitarra ao questionar a ideia de que modelos consagrados deveriam limitar a evolução do instrumento. Em conversa com o canal do Guitar Center no YouTube, o guitarrista do Animals As Leaders defende que o design pode avançar sem perder a identidade sonora.
A declaração surge no contexto da Kaizen, modelo desenvolvido em parceria com a Ernie Ball Music Man, que aposta em soluções estruturais incomuns para ampliar ergonomia, acesso aos trastes e conforto geral.
Segundo Abasi, parte da resistência a inovações vem da reverência excessiva a ícones históricos. Ele cita a lógica de que, se guitarristas como Jimmy Page se satisfizeram com certos padrões, não haveria necessidade de mudanças profundas no instrumento.
Para ele, esse pensamento pode travar a evolução técnica da guitarra elétrica, que já atravessa décadas com poucas alterações estruturais essenciais.
Kaizen e a proposta de romper o “DNA intocável” da guitarra
A Kaizen foi criada como uma resposta direta à ideia de que a guitarra moderna já teria atingido um ponto ideal de design. Abasi descreve o projeto como uma tentativa de explorar possibilidades ainda não totalmente desenvolvidas.

O modelo incorpora um corpo ultrafino, pensado para reduzir interferências físicas durante a execução. A proposta é simples na teoria, mas radical na prática: o instrumento deve desaparecer na mão do músico. Outro ponto central é a abordagem ergonômica aplicada ao acesso aos trastes, permitindo maior fluidez em regiões agudas do braço. A construção busca facilitar técnicas avançadas sem comprometer a estabilidade.
Essas decisões colocam a Kaizen em contraste direto com formatos tradicionais, frequentemente baseados em padrões consolidados desde a década de 1950 e 1960.
Inovação guiada por sensação, não apenas estética
Abasi reforça que o objetivo não é reinventar a guitarra por estética, mas por sensação de toque e resposta. O foco está em como o músico interage com o instrumento em tempo real.
Ele afirma que mudanças como escala multiescala e ajustes de ergonomia não são apenas experimentos visuais. Elas impactam diretamente fluidez, tensão das cordas e precisão durante execução. A lógica de projeto também busca reduzir barreiras físicas. Quanto menos o instrumento “atrapalha”, mais o músico pode se concentrar na expressão musical.
Apesar do caráter inovador, Abasi defende que a essência da guitarra permanece intacta. O som, a resposta dinâmica e a relação direta com as mãos continuam no centro do design.
Tradição versus evolução: um debate que segue aberto
A fala de Abasi reacende uma discussão recorrente na comunidade guitarrística. Até que ponto tradição deve ser preservada e quando ela começa a limitar a inovação?
Modelos clássicos continuam dominando palcos e estúdios, em parte por sua previsibilidade e familiaridade. Ainda assim, novas abordagens seguem surgindo para atender demandas técnicas contemporâneas.
A Kaizen se posiciona justamente nesse ponto de tensão. Não busca substituir o passado, mas expandir o que pode ser feito com o instrumento. Nesse cenário, o debate permanece aberto entre preservação estética e evolução funcional, com diferentes gerações de músicos influenciando os rumos do design.
Abaixo, você confere a conversa completa:




