Robertinho de Recife revela como surgiu projeto roqueiro com Zé Ramalho

Enquanto guitarrista, Robertinho de Recife segue na ativa não só nos trabalhos que produz, como em sua retomada enquanto artista, junto de Zé Ramalho e da Metal Mania.
Foto: reprodução / Instagram

Enquanto guitarrista, Robertinho de Recife segue na ativa não só nos trabalhos que produz, como em sua retomada enquanto artista. Além de ter lançado o álbum “Back For More” com o projeto Metal Mania, o guitarrista tem divulgado gravações feitas ao lado de Zé Ramalho, revisitando composições de ambas os artistas e ainda fazendo releituras, como “Ás de Espadas” (“Ace of Spades”, do Motörhead) e “Sr. Ozzy” (“Mr. Crowley”, de Ozzy Osbourne), ambas com letras em português.

Produtor de vários álbuns de Zé Ramalho, Robertinho de Recife disse, em entrevista exclusiva à edição 104, de fevereiro de 2020, da Guitarload (clique aqui para ler na íntegra), que a sugestão para o ter de volta na guitarra e ligado ao rock veio do amigo. “Num belo dia, ele me chamou para trabalhar no disco seguinte, mas queria que fosse chamado ‘Zé Ramalho da Paraíba e Robertinho de Recife’, só nós dois, pois ele queria me dar reconhecimento. Fiquei surpreso”, afirmou.

Robertinho, então, teve a ideia de regravar “Mr. Crowley” após assistir a um show de Ozzy Osbourne, em sua última passagem pelo Brasil. “O solo dela é uma obra-prima. Falei para o Zé que era até perigoso mexer com um hino desses, mas foi a única música que eu sentia condição de colocar um arranjo ao estilo de Zé Ramalho. E deu certo. Tem uma levada, uma cadência bem específica que não é calçada no metal: vem de música italiana, já que Randy Rhoads era um grande estudante de violão. Há acordes dissonantes ali que só mestres conseguem fazer”, disse.

A gravação de “Ás de Espadas” seguiu caminho parecido. “Essa ficou muito nordestina. Até roubei de outra música do Motörhead que o próprio Lemmy usa essa pegada de baião. No Nordeste, qualquer violeiro na rua toca isso. Por isso, recomendo: aprenda as músicas do seu país antes de aprender de outros. Daí, você descobre que as músicas não são totalmente originais”, afirmou.

Além das duas versões para clássicos do heavy metal, Zé Ramalho e Robertinho de Recife lançaram as músicas “Portal das Entidades” (inédita), “Seja o Meu Céu” (lançada por Robertinho em 1983), “Os Doze Trabalhos de Hércules” (de Zé Ramalho, 1982) e “Trem Fantasma” (da Metal Mania, 1984). Todas em formato de singles, já que um álbum não deve ser lançado em formato tradicional.

“Estamos gravando de forma independente, com recurso próprio. Perguntam do disco, mas onde vamos vender o CD? Não tem mais loja, nem gravadora. Quero fazer um CD bacana, com capa luxuosa, em formato de livro – com ilustrações, fotos, um pendrive com outros arquivos. Só que com tempo”, revelou Robertinho.

* A edição 104 da Guitarload (fevereiro de 2020) traz uma excelente entrevista com Robertinho de Recife, onde vários pontos de sua carreira são abordados. Além disso, conversamos com o guitarrista mineiro Guilherme Costa e apresentamos os principais lançamentos do mundo da guitarra na NAMM 2020. Clique aqui para ler a edição 104 da Guitarload – é de graça, mas por tempo limitado.

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