Eric Johnson não tenta fazer um único amplificador entregar todos os sons de que precisa no palco. Durante sua atual turnê, o guitarrista mantém um sistema dividido em três caminhos, cada um responsável por uma parte diferente de seu timbre.
Em entrevista, Johnson mostrou como organiza o equipamento e explicou por que prefere combinar amplificadores com características diferentes. O sistema reúne modelos da Marshall, Fender e Two-Rock, além de uma série de pedais.
A estrutura pode parecer complicada à primeira vista, mas segue uma lógica bastante direta: cada amplificador é usado para aquilo que ele faz melhor.
Marshall fica responsável pelo som de solo
Quando Johnson quer usar o som de solo, o sinal da guitarra passa primeiro por um wah-wah. Depois, segue para um Echoplex e um Tube Driver antes de chegar ao cabeçote Marshall.
É nessa combinação que o guitarrista encontra o timbre mais encorpado e com maior ganho para os momentos de destaque.
A escolha do Marshall tem relação com a maneira como o amplificador responde ao ganho. Johnson explica que o modelo funciona melhor para o tipo de sonoridade de blues e rock que procura nos solos.
Fender e Two-Rock cuidam das bases
Para os sons de base, Johnson divide novamente o sinal em dois caminhos.
O primeiro é dedicado ao som limpo. A cadeia passa por um loop box, um Deluxe Memory Man, outro Echoplex e um TC Stereo Chorus antes de chegar a dois Fender Deluxe Reverb.
O segundo caminho produz uma base mais suja e encorpada. Nesse caso, entram um Tube Screamer, um Fuzz Face e um MXR Digital Delay antes do sinal chegar a um Two-Rock Classic Reverb.
Johnson deixa o Two-Rock trabalhar com uma leve saturação. A ideia é chegar a uma sonoridade que ele relaciona a guitarristas como Jimi Hendrix e Keith Richards. O Fuzz Face acrescenta ainda mais ganho quando necessário.
Com essa configuração, o guitarrista consegue alternar rapidamente entre três situações: som limpo para as bases, uma base mais saturada e o timbre de solo.
Por que não usar apenas um amplificador?
A resposta de Johnson está nas próprias características dos amplificadores.
Segundo o guitarrista, os Fender Blackface funcionam melhor para os sons limpos e de base que procura. Já o Marshall responde melhor quando precisa de uma sonoridade mais forte para solos e partes de blues-rock.
Eu nunca consegui descobrir uma maneira de fazer funcionar usando apenas um amplificador e obter todos esses sons”
Eric Johnson
A diferença também está na maneira como os controles de tonalidade e o circuito de cada amplificador interferem no resultado. Por isso, em vez de tentar fazer um único equipamento cumprir todas as funções, Johnson prefere dividir o trabalho.
Apesar da quantidade de equipamentos, essa não é uma solução recente. O guitarrista afirma que a estrutura geral de seu sistema permanece praticamente a mesma há anos, mesmo com mudanças nos modelos de amplificadores.
Até a posição do microfone é calculada
A preocupação com o timbre não termina nos pedais e amplificadores. Johnson também é bastante específico sobre a maneira como seus gabinetes são microfonados no palco.
Nos gabinetes Marshall, ele costuma posicionar o microfone no quadrante inferior direito do alto-falante, a aproximadamente 10 centímetros de distância.
Quando precisa de mais agudos, desloca o microfone em direção à parte central do alto-falante. Nos Fender, utiliza microfones condensadores posicionados mais diretamente nessa região para destacar o brilho do instrumento.
O resultado é um sistema grande, mas construído em torno de uma ideia simples: em vez de obrigar um único amplificador a fazer tudo, Eric Johnson separa cada função e combina os equipamentos de acordo com o som que pretende obter.
Confira a entrevista completa no canal da Guitarrist:




