Todo músico que decidiu viver de música já ouviu alguma versão da mesma pergunta: “e o emprego de verdade?”. Para muitos, escolher a música significa bater de frente com as expectativas da família, trocar um diploma seguro por um caminho sem garantias e provar, na prática, que dá para pagar as contas tocando.
Roberto Barros conhece bem esse dilema. Capa da edição de setembro da Revista Guitarload, disponível gratuitamente durante o mês de lançamento, o guitarrista que ganhou o apelido de Cyborg e gravou o álbum Vera Cruz com Edu Falaschi relembrou, em entrevista ao Guitarload Talks, o momento em que precisou fazer essa escolha.
Na época, Roberto era um aluno promissor de um curso técnico concorrido na Federal de Cubatão: Eletrônica Digital. O guitarrista conta que passou em quinto lugar numa disputa de cerca de 800 candidatos por vaga, sem ter estudado para a prova. Para os pais, era a porta de entrada para uma carreira estável na indústria.
A cabeça dele, porém, já estava em outro lugar. Estudava guitarra com Ivo Machado, seu primeiro professor, que identificou um talento incomum e dizia para ele se mudar para São Paulo e investir na música.
O curioso é que, do outro lado, os professores do curso também enxergavam talento nele, só que para números binários e circuitos. Numa aula de laboratório, um professor quis saber por que ele faltava tanto. Roberto admitiu que amava música e que queria estar tocando.
Ele esperava um sermão sobre segurança profissional. Ouviu o contrário. “Então por que você está aqui? Vai embora”, disse o professor, segundo o guitarrista, sugerindo que trancasse a matrícula e voltasse um dia, se quisesse. No intervalo daquela aula, Roberto pegou as coisas e saiu.
O ultimato que colocou a carreira de Roberto Barros à prova
Em casa, a notícia virou uma briga que se arrastou por semanas. O pai chegou a dizer que o filho viraria vagabundo e que não falaria mais com ele. Hoje, Roberto diz entender a reação, já que, aos olhos da família, ele estava jogando fora uma vaga disputadíssima.
Diante da teimosia do filho, o pai impôs um prazo de uma semana. Se Roberto não começasse a ganhar dinheiro com música, iria trabalhar como ajudante na empresa. A saída foi espalhar panfletos pela cidade oferecendo aulas de guitarra. Os primeiros alunos apareceram, pagando R$ 10 por aula.
A dedicação acabou convencendo a família. Meses depois, foram os próprios pais que o incentivaram a estudar a sério em São Paulo, onde Roberto passou quatro anos no IG&T. É ali que ele marca o início oficial da carreira.
Na conversa completa com Guilherme Montanari, Roberto também relembra o acidente que o deixou três meses internado e o afastou da mão direita por quase três anos. Segundo ele, foi essa experiência que despertou sua obsessão pela palhetada alternada.
Assista ao episódio na íntegra:






