imagem de Jimi Hendrix destruindo guitarras no palco se tornou uma das mais emblemáticas da história do rock. O gesto, porém, teria uma explicação que ia além do espetáculo.
Segundo Eric Barrett, ex-roadie do guitarrista, Hendrix acreditava que determinados instrumentos carregavam espíritos. Quando entendia que uma guitarra já havia oferecido tudo o que podia, ele a destruía para “libertar” esse espírito.
A revelação aparece em entrevista de Barrett à Uncut. O roadie também reuniu suas memórias no livro Experienced: On the Road with Jimi Hendrix and Beyond, lançado em 4 de agosto.
“Ela já tinha lhe dado tudo o que podia”
Barrett relembrou um episódio em que Hendrix destruiu uma guitarra que, segundo ele, era bonita e praticamente nova.
“Por que essa, Jimi?”, teria perguntado o roadie.
A resposta surpreendeu.
Hendrix explicou que não conseguia mais tirar nenhuma nota daquele instrumento. Para ele, a guitarra já havia entregado tudo o que tinha para oferecer.
A solução foi quebrá-la para “libertar o espírito”.

A crença não se aplicava necessariamente a todos os instrumentos. De acordo com Barrett, Hendrix considerava a madeira um elemento importante e tinha guitarras que jamais destruiria justamente por causa de suas características.
A filosofia ajuda a colocar um pouco de contexto em um dos rituais mais associados ao guitarrista. Ao longo de sua carreira, Hendrix transformou a destruição de instrumentos em uma extensão de suas apresentações, especialmente em momentos como sua histórica participação no Monterey Pop Festival, em 1967.
As guitarras destruídas também confundiam a alfândega
A prática chegou a criar situações curiosas fora dos palcos. Barrett conta que a equipe precisava registrar os equipamentos transportados entre países por meio de um Carnet, documento utilizado para facilitar a circulação temporária de bens.
Em determinada viagem de volta aos Estados Unidos, um funcionário da alfândega percebeu que havia menos guitarras físicas do que o número registrado no documento.
O motivo estava dentro de um dos estojos.
“Abri um estojo e estava cheio de pedaços de guitarra”, relembrou Barrett. O material correspondia aos instrumentos destruídos por Hendrix durante a turnê.
Uma explicação diferente para um gesto histórico
A história não elimina o caráter performático das destruições, mas acrescenta uma camada curiosa à relação de Hendrix com seus instrumentos.
Para o guitarrista, ao menos segundo o relato de seu ex-roadie, uma guitarra não era apenas madeira, cordas e componentes elétricos. Alguns instrumentos pareciam carregar uma espécie de identidade própria.
E, quando Hendrix entendia que aquela relação havia chegado ao fim, o ritual era bastante definitivo: a guitarra virava pedaços e o espírito, finalmente, estava livre.




