Yngwie Malmsteen poderia ter seguido caminhos diferentes no rock. Antes de se consolidar como um dos principais nomes da guitarra neoclássica, o músico sueco recebeu contatos de bandas como Kiss e Night Ranger, foi convidado para trabalhar com David Lee Roth e chegou a negociar sua entrada no UFO. Em entrevista ao site eonmusic, publicada em 12 de outubro, ele relembrou essas oportunidades e explicou por que prefere manter controle total sobre sua música.
A conversa também aborda Hell or High Water, seu 23º álbum solo, previsto para 13 de novembro de 2026, além de seu processo de composição e sua relação com a espontaneidade durante as gravações.
Kiss desistiu após perguntar sobre a altura do guitarrista
Um dos episódios mais curiosos aconteceu quando Malmsteen tinha apenas 18 anos e ainda vivia na Suécia. Ele havia enviado uma fita cassete à revista Guitar Player, na qual tocava bateria, baixo, teclados e guitarra, além de cantar.
O material chamou a atenção de profissionais da indústria e começou a circular entre diferentes contatos. Foi assim que o guitarrista recebeu uma ligação relacionada ao Kiss.
Segundo sua lembrança, o representante da banda demonstrou interesse em recrutá-lo e perguntou se ele tinha seis pés de altura, aproximadamente 1,83 metro. Malmsteen, que afirma medir cerca de 1,92 metro, era mais alto do que isso. Depois da conversa, ninguém voltou a procurá-lo.
O músico não sabe ao certo quem fez a ligação nem se a altura era realmente um requisito da banda. Ele lembra, porém, que não entendia muito bem algumas expressões usadas pelo interlocutor, porque ainda falava inglês com sotaque britânico.
A fita também despertou o interesse de outras bandas, e as abordagens continuaram nos primeiros anos de sua carreira nos Estados Unidos.
Por que Malmsteen recusou David Lee Roth
Em 1985, Malmsteen estava em turnê com sua banda solo quando David Lee Roth passou a frequentar os shows. Recém-saído do Van Halen, o vocalista procurava um guitarrista para seu projeto e demonstrou interesse no sueco.
Malmsteen recorda que Roth acreditava que os dois poderiam fazer algo especial juntos. Apesar de admirar o cantor e considerar excelentes os álbuns dele com o Van Halen, o guitarrista decidiu não aceitar.
“Obrigado, mas não. Estou numa ótima fase agora”, foi a resposta que deu na ocasião. Na entrevista, ele reconheceu, com bom humor, que sua situação profissional talvez não fosse tão boa quanto imaginava naquele momento.
Os dois continuaram amigos. Malmsteen também elogiou a inteligência de Roth e contou que o vocalista lhe dava conselhos sobre como lidar com a imprensa.
Alcatrazz venceu a disputa com o UFO
Outra oportunidade surgiu quando Malmsteen ainda integrava o Steeler. Phil Mogg, vocalista do UFO, queria conversar sobre a possibilidade de contar com o guitarrista.
O convite, no entanto, acabou perdendo espaço quando Malmsteen recebeu uma proposta do Alcatrazz. O projeto já tinha um contrato com uma gravadora e estava pronto para começar, o que pesou em sua decisão.
Aos 19 anos, o guitarrista aceitou a oferta e estabeleceu duas condições: queria escrever as músicas e pediu a contratação de outro baterista.
A entrevista também aborda a relação com Ronnie James Dio, com quem Malmsteen fez turnês e dividiu o palco diversas vezes. Ele descreve a amizade como positiva, embora reconheça que os dois tinham personalidades fortes e gostavam de manter o controle sobre o próprio trabalho.
Por que ele prefere gravar tudo sozinho

A independência criativa continua sendo uma característica central da carreira de Malmsteen. O músico afirma que consegue desenvolver melhor suas ideias quando não há interferências externas, pois costuma imaginar a composição praticamente pronta antes de começar a gravá-la.
Para ele, o trabalho envolve muito mais do que executar solos. Malmsteen pensa nos arranjos, nas linhas de baixo, nos contrapontos e nos elementos orquestrais como partes de uma composição completa.
O estúdio próprio, construído há cerca de 30 anos, permite registrar ideias assim que surgem e desenvolver os arranjos sem depender de sessões tradicionais de gravação. Ele também valoriza a primeira execução de uma passagem quando ela captura a inspiração inicial.
Essa espontaneidade, segundo o guitarrista, é um dos aspectos mais importantes da música. Em vez de repetir uma performance até alcançar um resultado calculado, ele prefere preservar momentos que considera genuínos.





