Em meio à ofensiva da Fender para proteger judicialmente o desenho da Stratocaster contra fabricantes concorrentes, Yngwie Malmsteen deu sua opinião sobre o assunto durante entrevista no Pordenone Blues Festival, na Itália.
Para o guitarrista sueco, a marca tem razão em querer proteger o design, mas talvez tenha demorado tempo demais.
Poucos guitarristas estão tão ligados a um único instrumento quanto Malmsteen ao Stratocaster. Dono de um modelo signature da Fender e de uma Strat original de março de 1954, ele comentou o tema com a autoridade de quem construiu a própria identidade sonora em cima do desenho da marca.
O que Malmsteen pensa sobre a Fender proteger o design do Stratocaster
Ao ser questionado sobre a tentativa da Fender de blindar legalmente o formato do instrumento, o guitarrista reconheceu a legitimidade do pedido, mas ponderou que a iniciativa pode ter chegado atrasada. Segundo ele, o desenho já foi copiado tantas vezes ao longo de sete décadas que o esforço encontra um mercado saturado de instrumentos parecidos.
Malmsteen lembrou o impacto que o modelo causou quando surgiu.
“Quando aquilo apareceu, foi como uma nave espacial pousando; não tinha nada comparável.”
Ele contou que a própria Gibson reagiu à novidade criando formatos como a Flying V, e apontou que até o sistema de ponte Floyd Rose seria uma derivação do que a Fender apresentou. Mesmo reconhecendo o direito da marca, o guitarrista foi direto sobre o timing da ação.
“Acho que a Fender tem o direito de proteger, mas talvez seja tarde demais, porque todo mundo já está fazendo.”
A ressalva, porém, pouco muda sua rotina, já que ele não pretende trocar de instrumento em hipótese alguma.
A lealdade que veio antes do contrato
A relação de Malmsteen com a Stratocaster, no entanto, não começou com regalias. Antes de se tornar um artista endossado, ele conta que rejeitava ofertas de instrumentos gratuitos de praticamente todos os fabricantes do mercado, incluindo a Gibson, justamente para permanecer fiel à Fender que já usava.
Segundo o guitarrista, no início dos anos 1980 a Fender ainda não distribuía instrumentos para artistas, enquanto as concorrentes ofereciam de tudo para atrair nomes em ascensão. Sua resposta era sempre a mesma:
“Valeu, mas não. Prefiro pagar por este aqui e tocar o de vocês.”
A mesma lógica valia para os amplificadores Marshall que utilizava. Para Malmsteen, essa fidelidade acabou virando uma via de mão dupla. Ele confiou na Fender antes de qualquer acordo comercial, e a marca, com o tempo, retribuiu a confiança.
Foi desse histórico que nasceu, anos depois, um dos modelos signature mais reconhecidos do rock instrumental.
Para quem quiser ver os instrumentos que sustentam essa relação, vale dar o play no vídeo abaixo, da série Strat Sessions, publicado pelo canal oficial da Fender. Nele, Malmsteen abre sua coleção, mostra a Stratocaster de 1954 e relembra o nascimento do seu modelo signature, gravado pela primeira vez no solo de “Heaven Tonight” durante as sessões do álbum Odyssey.




