Em conversa recente com o Guitar Talks, o guitarrista e produtor Demian Tiguez revisita sua trajetória no rock e no metal, fala sobre sua atuação com o Anjos de Resgate e aprofunda uma das discussões mais relevantes para o músico atual: como equilibrar timbre, praticidade e identidade sonora em um mercado cada vez mais digital.
Com forte influência do neoclássico e nomes como Yngwie Malmsteen, Demian explica como a busca por técnica sempre esteve ligada à expressividade. A referência no violino, especialmente no vibrato e nos ligados inspirados em violinistas como Niccolò Paganini, ajudou a moldar sua linguagem na guitarra, criando uma abordagem mais melódica e articulada.
Ao longo da conversa, ele também relembra sua passagem pelo metal com bandas como Cerimônia, o trabalho com a gravadora Codimuc e como essas experiências ajudaram a construir sua visão sobre música, missão e o lado profissional da carreira.
Setup digital virou prioridade no palco
Um dos pontos centrais da entrevista é a transição dos amplificadores tradicionais para um setup cada vez mais digital. Demian detalha como o uso de plugins como AmpliTube, tablets e pedais como TONEX e a linha X-Gear da IK Multimedia transformaram sua rotina de shows.
Segundo ele, a principal vantagem está na consistência sonora. O objetivo é levar ao palco exatamente o mesmo timbre criado no estúdio, sem depender das variáveis de cada local ou dos equipamentos disponíveis.
Além disso, a praticidade logística pesa bastante. Equipamentos menores facilitam transporte, montagem e reduzem problemas técnicos em turnês. A possibilidade de automação com softwares como Pro Tools também permite programar trocas de presets e efeitos sem interrupções durante a performance.
Para Demian, o ideal é simples: o som precisa chegar pronto.
Menos ajustes ao vivo, mais foco na performance
O guitarrista defende que timbre não deve ser resolvido no palco. A preparação acontece antes, no estúdio, com presets bem definidos e salvos para evitar surpresas durante o show.
Segundo ele, mexer demais em regulagens durante a apresentação pode gerar distrações desnecessárias e até falhas técnicas. A prioridade é manter consistência e liberar o músico para focar totalmente na execução.
Essa filosofia também conversa com sua visão sobre controle de palco. Trabalhando em linha e com sistemas digitais, ele consegue evitar excesso de volume no palco, melhorar a clareza da mix e entregar mais previsibilidade para toda a equipe.
Feedback ainda segue insubstituível
Mesmo com toda a praticidade digital, Demian destaca que existe um elemento difícil de substituir: o feedback natural entre guitarra e amplificador.
Para ele, a microfonia controlada é parte importante da expressividade, especialmente em sons com mais ganho e sustain. É esse retorno físico que permite puxar harmônicos e criar notas mais vivas e orgânicas.
Por isso, mesmo com setups modernos e silenciosos, ele acredita que certos estilos ainda dependem da presença física de um amplificador ou de um monitor de palco que empurre ar de verdade.
A famosa guitarra “furadinha”
Outro destaque da entrevista é a história da guitarra que se tornou sua assinatura visual: a famosa “furadinha”.
O instrumento foi profundamente modificado por seu pai, um luthier renomado, que redesenhou o corpo, criou reentrâncias ergonômicas e perfurou estrategicamente a madeira para reduzir peso e melhorar o apoio da mão.
Além do visual marcante, a proposta era criar uma guitarra mais confortável, rápida e alinhada com sua linguagem de hard rock e heavy metal.
Demian ainda revela que trabalha em seu novo modelo signature com a Tagima, previsto para 2026.




