A PRS Guitars iniciou uma nova fase institucional ao nomear Jack Higginbotham como o primeiro CEO de sua história. Mas, segundo o executivo, a mudança não representa uma ruptura com o legado de Paul Reed Smith, e sim um passo natural para transformar a fabricante em uma empresa verdadeiramente global.
Funcionário da PRS desde os primeiros dias da marca, Higginbotham entrou na empresa em 1985 como construtor de guitarras e hoje lidera uma das fabricantes mais influentes do mercado premium. Em entrevista à Guitar World, ele falou sobre expansão internacional, qualidade, valor percebido e o futuro da linha SE.
De aprendiz de luthier ao primeiro CEO da PRS
A relação entre Jack Higginbotham e Paul Reed Smith começou antes mesmo da fundação da empresa. Os dois se conheceram em 1983 e, segundo ele, bastou uma conversa para perceber que aquele jovem luthier tinha um projeto diferente nas mãos.
Quando a PRS foi oficialmente criada, Higginbotham abandonou os planos de concluir a graduação em engenharia mecânica para trabalhar na oficina por salário mínimo.
Quatro décadas depois, ele ocupa um cargo inédito dentro da companhia.
Para o executivo, a criação da posição de CEO acompanha o crescimento da PRS fora dos Estados Unidos. Ele afirma que passou cerca de metade do último ano e meio viajando para compreender melhor mercados internacionais e alinhar uma estratégia única para a marca.
A filosofia por trás de cada guitarra
Durante a entrevista, Higginbotham resumiu em uma frase aquilo que considera o verdadeiro objetivo da PRS.
“Queremos que você tenha o dobro do valor investido. Se fabricamos uma guitarra de US$ 600 e você pensa: ‘Eu teria pago US$ 1.200’, isso é um sucesso absoluto.”
A declaração ajuda a explicar por que a empresa evita separar seus instrumentos apenas por faixa de preço. Segundo ele, uma SE Standard, uma CE ou uma Private Stock devem compartilhar o mesmo compromisso com qualidade, mudando apenas o nível de materiais, acabamento e complexidade de construção.
Esse pensamento também aparece na obsessão da PRS pelos detalhes técnicos. Higginbotham cita a ponte, a pestana, as tarraxas, o teor de umidade da madeira, o processo de secagem e até a quantidade de resina nos captadores como elementos que influenciam diretamente a ressonância e o sustain de uma guitarra.
“O diabo está nos detalhes”, resume.
A linha SE está perto de uma meta histórica
Em 2022, Higginbotham mencionou um plano de cinco anos para transformar a divisão PRS SE em um negócio de US$ 75 milhões. Questionado sobre o andamento desse objetivo, ele respondeu de forma otimista.
Segundo o CEO, a meta está próxima de ser alcançada e a linha praticamente triplicou de tamanho nos últimos anos. Mais importante que o crescimento, porém, foi manter a evolução da qualidade dos instrumentos produzidos.

A estratégia reforça a importância da série SE dentro do catálogo da PRS, hoje responsável por levar o padrão da marca a um público muito mais amplo sem abrir mão de especificações competitivas.
Vintage importa, mas tocar importa mais
Outro momento curioso da conversa envolve a Custom 24 de 1986 que Higginbotham construiu completamente sozinho. Em vez de preservá-la como peça histórica, ele decidiu desmontá-la e reconstruí-la com novos captadores, eletrônica, ponte, tarraxas e até uma nova escala.
A decisão nasceu durante o processo de elaboração de seu testamento, quando percebeu que a guitarra permanecia guardada no estojo havia anos.
Para ele, existe valor emocional nos primeiros instrumentos da PRS, mas a verdadeira magia está na performance. Uma guitarra deve continuar sendo tocada, não apenas admirada como objeto de coleção.
Ao final da entrevista, Higginbotham respondeu qual músico gostaria de ver usando uma PRS moderna. A escolha foi imediata: Stevie Ray Vaughan tocando uma Silver Sky. Uma resposta que conecta o passado do blues ao presente de uma das guitarras mais emblemáticas do catálogo da PRS.





