“Como diabos esse som sai dos dedos de uma pessoa de 22 anos?” Quem pergunta é Ryan Roxie, guitarrista de Alice Cooper desde 1996. A frase resume o impacto que Anna Cara causou ao entrar na banda. Nascida em Newcastle, na Inglaterra, Cara foi convidada para substituir temporariamente Nita Strauss, carregando algo raro: feeling e maturidade musical muito acima da idade.
As músicas que Anna Cara toca ao lado de Alice Cooper foram gravadas por gente como Dick Wagner, Steve Hunter, Kane Roberts, Vinnie Moore, Orianthi e a própria Nita Strauss, temporariamente afastada por conta da licença-maternidade. Segurar esse repertório pedia mais do que técnica, e é aí que os colegas de banda gastam os elogios.
“Ela tem aquilo”
A descoberta é de Tommy Henriksen, na banda desde 2012. Ele garimpava músicos no Instagram e no YouTube quando caiu nos vídeos dela.
“Eu ficava dizendo pro Ryan: ‘você precisa ver essa garota tocar. Ela tem aquilo. Não sei explicar. Não são muitas as pessoas que têm, mas ela tem.'”
O que prendeu Henriksen foi a falta de firula. Anna filmava só as mãos, sem mostrar o rosto e sem pose. Quando entrou em contato, ele soltou a comparação que virou marca da história:
“Ela toca como Gary Moore. Tem o vibrato de um homem de 55 anos.”
Segundo ele, a única outra mulher que tinha ouvido tocar com aquele vibrato era Orianthi.
Ryan Roxie, o veterano do grupo, teve a mesma reação. Para ele, o que espanta é de onde vem aquele som. “Normalmente, pra conseguir um tom desses, vem de anos tocando”, diz. “Mas ela conseguiu treinando no quarto e postando vídeos.” Roxie ainda nota uma coincidência: mesmo com 38 anos de diferença de idade entre os dois, eles bebem das mesmas fontes, como Tony Iommi, Eddie Van Halen e o próprio Gary Moore.
Emoção acima do shred
Sobre esse “aquilo” que os colegas tentam descrever, Anna aponta para uma escolha. “Eu gosto de tocar com emoção”, diz.
“Eu curto fritar, mas o principal pra mim é emoção. É isso que me mantém tocando.”
Ela aprendeu as primeiras coisas com o pai, para quem a guitarra era só um hobby, e o foco dele era claro. “Ele sempre focava em vibrato e ritmo. Dizia: ‘domine isso antes de tentar qualquer coisa de shred rápido’.” Dali, ela foi atrás de Tony Iommi, Eddie Van Halen e Gary Moore.
Henriksen resume a lógica da banda, que tem três guitarristas dividindo o palco. “A coisa toda é sobre ritmo. É sobre tempo e feeling. Quando você encaixa, cara, soa como uma parede de guitarras.”
Da internet à banda de Alice Cooper
Henriksen a descobriu em 2022, quando ela tinha 19 anos, e a chamou primeiro para a Crossbone Skully, banda que ele montava na época. A primeira viagem aos Estados Unidos já foi surreal: recém-saída de Newcastle, ela foi levada direto para a casa de Johnny Depp, onde fica o estúdio, e ainda tocou uma guitarra do ator.
Quando Nita avisou Alice sobre o afastamento, Henriksen jogou o nome de Anna na mesa. Roxie ouviu e topou na hora. Cooper comprou a ideia e levou a guitarrista para assistir a um show em Las Vegas antes de colocá-la na banda.
Para ela, ainda é difícil acreditar. “Eu assistia aos vídeos ao vivo do Alice Cooper quando tinha 14 anos e tocava junto”, lembra. Roxie, que já viu muita gente entrar e sair desse meio, dá o conselho de quem tem estrada:
“Se você seguir firme, vai ter sua chance. Agora a Anna teve a dela, e o mundo é dela.”
As informações são do site Guitar World.




