O som do Rush foi construído com pilhas de valvulados, mas Alex Lifeson já não depende deles como antes. Em entrevista ao Rick Beato, o guitarrista explicou o que o convenceu a adotar o Fractal e o Tonex como ferramentas fiéis e práticas para shows locais.
Por décadas, o setup de Lifeson girou em torno de pilhas de valvulados. Amps como Fender, Marshall, Hiwatt, Hughes & Kettner, entre outros, passaram pelo seu rig ao longo dos anos — quase sempre empilhados em gabinetes 4×12.
Mas isso não impediu o guitarrista de mergulhar no digital mais tarde. Quando a tecnologia começou a fazer sentido, a Fractal foi uma aposta: entrou no setup como plataforma de efeitos, com patches específicos para cada música do catálogo do Rush.
“Já venho usando o Fractal há algum tempo. Na última turnê, usei uma unidade montada em rack, e em algumas turnês levo o Axe-Fx 3 — simplesmente adoro. A qualidade dos efeitos é ótima!”
Alex Lifeson
O Tonex teve uma origem mais particular. Em parceria com a IK Multimedia, Lifeson entregou todos os seus amplificadores para que a empresa os modelasse durante quase dois anos. O resultado foi um pacote fiel ao som dos próprios valvulados do guitarrista, capturado por aprendizado de máquina.
Lifeson conta que ficou impressionado ao ouvir o resultado pela primeira vez ao lado do engenheiro Nick Resculitz.
“Quando me enviaram e eu ouvi, realmente não sabia o que esperar. Mas fiquei impressionado.”
Alex Lifeson
O que mudou com a modelagem por IA
Lifeson explicou a Beato por que as gerações anteriores de simuladores nunca o convenceram. “Muitas vezes esses plugins pareceram bidimensionais. Não havia profundidade, tudo soava comprimido e travado.” O que mudou, segundo ele, foi o uso de inteligência artificial no processo de captura do som.
“Agora eles soam como os melhores amplificadores de todos os tempos. Tem profundidade nos graves, tem personalidade de verdade. Não é só a distorção e o ruído de um amplificador — eles respondem muito bem às diferentes mudanças de nível.”
A praticidade também pesa na decisão. Para shows locais, Lifeson leva apenas uma pedaleira e Tonex na bag, algo impensável na era dos gabinetes empilhados. Mas o que mais chama atenção no relato é outra coisa: a possibilidade de resgatar os sons de cada disco do Rush ao longo de uma mesma noite.
“Pensei: não seria legal se eu pudesse simplesmente voltar e reproduzir todos aqueles sons de guitarra que eu tinha daqueles discos? O som de guitarra de Tom Sawyer, o de Limelight, percorrer toda a gama.” Para a turnê atual, essa é exatamente a proposta.
Assista ao episódio completo com Rick Beato no vídeo abaixo:





