Quando se fala em guitarras de visual agressivo, poucos temas despertam tanto debate quanto a escolha do modelo definitivo. Flying V, Explorer, King V, Warlock, superstrats e tantos outros formatos ajudaram a construir a identidade visual do hard rock e do heavy metal. Mas, afinal, existe uma guitarra que possa ser considerada a melhor entre todas elas?
Para Sean Kelly, a resposta é sim. Autor do livro Battle Axes: A Hard Rockin’ History of Pointy Guitars, o escritor acredita que a Jackson Randy Rhoads reúne todos os elementos que transformaram as guitarras pontiagudas em símbolos do rock pesado.
A declaração foi feita durante participação no podcast Booked on Rock, no qual Kelly explicou por que considera o modelo o ápice desse tipo de instrumento.
A guitarra que, segundo Sean Kelly, reúne tradição e inovação
Questionado sobre qual seria a maior guitarra pontiaguda de todos os tempos, Kelly não demonstrou hesitação.
“O modelo Jackson Randy Rhoads. A segunda variação da Concorde. Porque, para mim, ela une tudo.”
Na visão do autor, o instrumento sintetiza um momento importante da história da guitarra ao combinar respeito pela tradição com uma visão voltada para o futuro.
“Randy Rhoads surgiu na cena glam dos anos 70, ultrapassando limites, mas ainda respeitando as raízes. Ele seguia em frente, olhando para trás, mas com a lanterna apontada para o futuro.”
Kelly ainda destacou a permanência do modelo entre músicos de diferentes gerações.
“Até hoje, essa guitarra continua a parar nas mãos de jovens músicos, tanto ou mais do que qualquer outra guitarra pontiaguda que eu consiga imaginar.”
Como nasceu a Jackson Randy Rhoads
A história do instrumento começou no fim de 1980, quando Randy Rhoads e Grover Jackson decidiram desenvolver uma guitarra que fugisse completamente dos padrões da época.
O primeiro projeto recebeu o nome de Concorde e foi desenhado, segundo a própria Jackson, em um simples guardanapo de papel. O modelo apresentava um corpo em V assimétrico, construção neck-through-body e trazia, pela primeira vez, o nome Jackson no headstock.
Pouco tempo depois, Rhoads sugeriu diversas alterações no desenho original. Essas mudanças deram origem à segunda versão da Concorde, que acabaria sendo lançada comercialmente como Jackson Randy Rhoads.
Após a morte do guitarrista, em 1982, o modelo se tornou um dos instrumentos mais reconhecidos da história do rock e continua sendo produzido até hoje.
Das experiências dos anos 1950 ao auge do metal
Embora sejam frequentemente associadas ao heavy metal, as guitarras pontiagudas surgiram décadas antes.
Nos anos 1950, fabricantes começaram a experimentar formatos inspirados pelo design futurista da chamada Era Espacial. Na época, modelos como a Flying V e a Explorer tiveram pouca aceitação comercial.
Foi apenas nas décadas seguintes que esses desenhos ganharam nova vida nas mãos de guitarristas de hard rock e heavy metal.
Durante os anos 1980, fabricantes como Jackson, Kramer, Dean, BC Rich e Ibanez levaram esse conceito ainda mais longe. O resultado foi uma geração de instrumentos em que aparência, ergonomia e desempenho passaram a caminhar lado a lado.
O “Monte Rushmore” das guitarras pontiagudas
Além de eleger sua guitarra favorita, Sean Kelly também foi convidado a montar seu próprio “Monte Rushmore” dos guitarristas ligados aos modelos pontiagudos.
Depois de considerar diversos nomes, sua seleção final ficou composta por:
- Paul Stanley (KISS)
- Michael Schenker
- Joe Perry (Aerosmith)
- Randy Rhoads
Kelly fez questão de destacar especialmente Michael Schenker, lembrando sua relação histórica com a Flying V.
“Aquela Flying V clássica. A maneira como ele segurava a guitarra e a forma como tocava eram simplesmente incríveis.”
O escritor também citou Paul Gilbert, Bruce Bouillet e Mick Mars entre os músicos que marcaram a estética das guitarras pontiagudas, embora tenham ficado fora da lista definitiva.
Um instrumento que atravessou gerações
Independentemente da preferência de cada guitarrista, a escolha de Sean Kelly reforça a importância da Jackson Randy Rhoads para a história da guitarra.
Criado a partir da visão de um músico que buscava romper padrões, o modelo permanece como uma das silhuetas mais reconhecidas do universo do hard rock e do metal. Mais de quatro décadas após seu lançamento, continua inspirando novos instrumentistas e alimentando um debate que dificilmente chegará ao fim: afinal, existe mesmo uma guitarra pontiaguda definitiva?
Abaixo, você confere a entrevista completa:




